Alunos da Ufal no Sertão fazem compostagem para fertilizar solos
Os alunos do 7º período do curso de Geografia do Campus do Sertão da Ufal tiveram a sua primeira experiência com coleta seletiva e produção de adubos orgânicos a partir de restos de alimentos das suas próprias residências. A proposta do trabalho é que o material sirva de base para impulsionar a atividade dos pequenos agricultores rurais da região.
Durante a disciplina Recuperação de áreas degradadas, o professor Fernando Pinto Coelho ensinou técnicas e metodologia para compostagem com classificação dos nutrientes e suas características químicas para fertilização do solo associada a processos de secagem da matéria orgânica com adição de terra húmica ou arenosa.
Três grupos de alunos se dividiram para produzir três quilos de adubo escolhendo diferentes tipos de material orgânico. O primeiro grupo utilizou restos de alimentos não processados, talos e cascas de fruta; o segundo fez o adubo a partir de cascas de batata, maracujá, ovos, banana, laranja, goiaba, alho e cebola, explicando as propriedades de cada item selecionado.
Já os alunos do último grupo optaram por produzir um adubo NPK, um fertilizante natural que combina Nitrogênio, Potássio e Fósforo. Para isso, misturaram pó triturado de cascas de banana e ovos com borra de café.
Na apresentação, os alunos debateram sobre sustentabilidade e produtividade agrícola em solos da região semiárida e o professor Fernando explica sobre essas possibilidades exploradas estudantes: “O paradigma de solos rasos e litólicos do sertão alagoano podem ser superados com técnicas de irrigação a partir do Canal do Sertão e tecnologias modernas aplicadas em sistemas agrícolas, como nas cidades de Petrolina e Juazeiro. A fruticultura é uma realidade no sertão de muitos estados do Nordeste e Alagoas não é uma exceção, é preciso investimento, capacidade para superar dificuldades e espírito empreendedor”.
Segundo o docente, a maioria dos solos do sertão alagoano é constituída por Planossolos háplicos, que podem ser transformados em férteis. E só uma pequena parte da região é de Neossolos litólicos, ou seja, com pedras e rochas, mas que também não impede o cultivo.
“Existem tecnologias de moagem de rochas em que minerais importantes para o solo podem se transformar em adubos. Israel se tornou o maior polo de fruticultura do oriente médio num cenário de solos desérticos, portanto, as nossas condições ambientais são mais favoráveis e com uma cultura agropecuária bastante arraigada nas cidades sertanejas”, ressaltou Coelho.
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