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Influenciador Rico Melquiades será investigado por suposta coação eleitoral contra funcionárias
O influenciador alagoano Rico Melquiades está sendo alvo de uma ação do Ministério Público Eleitoral (MPE) em Alagoas, que pediu a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar uma suspeita de coação eleitoral contra funcionárias.
Rico teria publicado um vídeo, no último sábado, 12, em que teria coagido as funcionárias de uma padaria que possui a votar em um determinado candidato. O MP Eleitoral viu o indício de coação, uma vez que o diante de mais de 12,4 milhões de seguidores, ele utilizou a posição de empregador para questionar preferências políticas e ameaça demitir uma trabalhadora.
Nas imagens, quatro mulheres aparecem ao lado do influenciador. Durante a gravação, Rico pergunta quem paga o salário delas e passa a questionar suas preferências político-partidárias. Ao associar uma das funcionárias a um determinado partido, ele afirma repetidamente que ela estaria demitida, manda que pegue seus pertences e reforça diversas vezes que é ele quem paga os salários.
Para o Ministério Público Eleitoral, a conduta pode configurar o crime de coação eleitoral, previsto no artigo 301 do Código Eleitoral, que pune atos destinados a constranger ou influenciar a liberdade de voto do eleitor. Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Federal, o órgão informou que recorrerá à Justiça Eleitoral para buscar a imediata interrupção desse tipo de comportamento.
O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, classificou o episódio como incompatível com o Estado Democrático de Direito e afirmou que a relação entre empregador e empregado não pode ser usada como instrumento de pressão política.
“É inaceitável que alguém se valha da posição de empregador, do poder econômico e da dependência decorrente da relação de trabalho para constranger trabalhadores em razão de suas escolhas políticas. Emprego e salário não podem ser usados como instrumentos para impor, direcionar ou tentar interferir no voto de ninguém. Uma conduta dessa natureza viola a liberdade de escolha do eleitor e exige uma resposta firme do Ministério Público Eleitoral.”
Segundo o procurador, uma eventual alegação de que tudo não passou de uma brincadeira não elimina a gravidade do caso, justamente porque existe uma relação de poder entre quem paga o salário e quem depende daquele emprego para sobreviver.
“Não se trata de brincadeira quando existe uma relação de poder e se coloca o emprego de uma pessoa em jogo por causa de sua posição política. A liberdade do voto precisa ser respeitada integralmente.”
Até o momento, Rico Melquiades não apresentou manifestação pública sobre a investigação. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento do influenciador.
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