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Finados? Eu chamo de saudade.
Pensar o luto geralmente remete à tristeza, à perda, à melancolia e a muita emoção que, por vezes, vem sem controle. O choro escorre mesmo quando não queremos. Ele vem. No meio da rua, num show, numa fila de lotérica, a teimosa lágrima escorre sem permissão e mostra o quanto aquela dor ainda está lá.
É difícil conhecer alguém que não viva um luto, que não tenha sentido uma despedida que não tem mais volta e que machucou tanto que o buraco que ela deixou não se preenche jamais. Mas, se me permite, eu diria que a palavra que melhor define o luto é SAUDADE. Mas é aquela saudade sem volta, sabe? Aquela que a gente sabe que não tem mais remédio, que nada no mundo ocupa o lugar.
Creio que por aí também te lembres daquele dia em que o medo da perda virou real. Eu lembro da ligação, das palavras, dos compromissos, das mensagens de sentimentos, mas lembro, acima de tudo, de como foram os dias com ela por aqui, o último momento bom, a última foto, a última risada…
A perda vira saudade muito rápido, né?
A poesia nordestina diz que saudade só é saudade quando se perde a esperança. Na fé, essa esperança existe, mas, fora dela, a morte nos tira muito, sem aviso prévio nem tempo para planejar ou se preparar para os custos que temos que arcar com a irônica ausência que ela nos deixa. O meu luto difere do seu pelas experiências que você teve com a sua saudade, mas aquela sensação de vazio, de estar sozinho mesmo no meio da multidão, é muito parecida. A sensação de não ter mais para onde voltar quando está na tempestade é bem típica quando o assunto é luto.
Lembrei do vidro que quebrou na cozinha e de como, meses depois, naquela faxina, você pisou nele ou o apertou e acabou se machucando, lembrando que ele ainda estava lá. O luto é isso: passam anos, faxinas e faxinas e, ainda assim, vamos encontrar pedacinhos dele por aí.
Que possamos aprender a lidar com os caquinhos que vamos encontrar nos cantos da vida.
Professor Thiago Abel
Comunicação por instinto;
Professor de história e atualidades;
Especialista em Psicopedagogia;
De esquerda;
Defensor dos direitos humanos;
Em constante adaptação pra encontrar a melhor versão de mim mesmo.
Blog voltado pras questões atuais que nos afligem. Educação, política, comportamento e tudo mais que me inquietar a opinar.
Sintam-se em casa!
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