Blogs

Democracia em risco, quem ganha?

Por Professor Abel. com Blog do Abel. 16/06/2020 11h11
Por Professor Abel. com Blog do Abel. 16/06/2020 11h11
Democracia em risco, quem ganha?
Desde o fim da ditadura em 1985, o país busca fortalecer o sistema democrático e evitar ao máximo outra experiência autoritária nos moldes das que já tivemos tantas vezes em nossa história recente.
Fazendo uma breve viagem no tempo vamos encontrar alguns fatos marcantes e negativos nas páginas da política nacional. Começando pelo golpe que deu origem a república, depois em 1930 quando Getúlio toma o poder e por último em 1964 quando a ditadura segura 21 anos de autoritarismo. O que vimos nesses episódios foi uma soma de centralização, perseguição, censura, isolamento da oposição e retirada de direitos individuais básicos que resultou em grave atraso para um país tão marcado pelas desigualdades socais. A constituição federal de 1988 é clara no sentido de expurgar toda e qualquer ameaça ao regime democrático, e inclusive cria uma série de ferramentas para proteger suas bases e punir os que a ameaçam.
Mas o que mudou em cinco ou seis anos que antecedem o que estamos vivendo? Desde quando passamos a ver os ataques à democracia como exercício da liberdade de expressão? Desde quando passamos a entender que a violência é o único caminho para a solução dos problemas? É possível definir o exato momento que perdemos o prumo de humanidade política? Creio que o ano de 2016 foi crucial e marcou o fato que escancarou de vez nossa conivência com quem despreza nossa democracia. A votação do impeachment de Dilma revelou o esgoto político que ainda assombra o congresso nacional, quando na ocasião da defesa de seu voto favorável a cassação do mandato o então deputado Jair Bolsonaro celebrou o torturador Ustra, reconhecido pelo serviço sujo que prestou nos porões da ditadura de 64. Alí é uma das gêneses desse extremismo que assola nossa nação e que coloca a cada dia nossa democracia em risco, daquela ocasião o ex-deputado deveria ter sido direto para comissão de ética daquela casa e acabar com seu mandato cassado por crime contra a segurança nacional, mas o que ocorreu de fato? Ele virou a voz dos filhotes da ditadura, virou símbolo dos que odeiam a democracia, virou mártir dos que querem a todo custou uma ditadura a frente do poder executivo.
Há quem ganhe com isso? Existem de fato pessoas interessadas em um levante autoritário? Quem ganha? Quem perde? Arrisco a dizer que o saldo é negativo para todos, inclusive para os que hoje apoiam essa ideia transloucada. O país perde em pluralidade, em respeito, em dignidade em humanidade e acima de tudo falha como civilização. Apoiar qualquer que seja a ditadura é não olhar para trás, é ser arrogante e irresponsável com o sofrimento dos que vieram antes de nós e ajudaram a fazer desse mundo um lugar melhor (mesmo que ainda estejamos longe da tão sonhada justiça social).
Termino esse texto afirmando que há quem pense que será melhor, há quem acredite que sem participação coletiva o sistema será aperfeiçoado, ainda há entre nós quem imagine a democracia como mera formalidade. Só se perde nas ditaduras, delas só ficam memórias amargas e motivos para lamentar, sobram corpos (quando são encontrados). Mesmo quem acredita que ganha, as ditaduras fazem questão de lembrar que não vacila, não cansa, não dorme e nunca perdoa.