Escultor que assassinou e concretou jovens no Laranjal está sendo julgado em Arapiraca; assista
Está ocorreu nesta terça-feira, 25, o julgamento do escultor acusado de assassinar quatro jovens na chacina do Sítio Laranjal, em Arapiraca. A sessão do Tribunal do Júri, considerada uma das mais aguardadas da história recente do município, começou pela manhã e deve seguir até a noite, quando ocorrerá a leitura da sentença.
O escultor responde por quatro homicídios qualificados, ocultação de cadáver, posse irregular de arma de fogo e crime ambiental.
Além dele, outros dois réus também são julgados na mesma sessão, mas respondem exclusivamente pela acusação de ocultação de cadáver.
O caso ganhou repercussão estadual após os corpos das vítimas serem encontrados dentro de uma cacimba concretada na propriedade onde o crime ocorreu, em abril de 2024.
Durante um intervalo do júri, o promotor de Justiça Ivaldo da Silva, responsável pela acusação, afirmou que o Ministério Público de Alagoas trabalha para que todas as acusações sejam reconhecidas pelos jurados e rejeitou a tese de legítima defesa apresentada pelo principal réu.
"Esperamos da sociedade que a pretensão do Ministério Público seja acolhida na integralidade. Ele matou quatro pessoas, houve ocultação de cadáver, havia arma de fogo irregular na residência e, diferentemente do que pareceu, ele não confessou. Ele alegou legítima defesa", declarou o promotor.
Segundo o promotor, a estratégia da acusação é demonstrar que a alegação de legítima defesa não se sustenta diante das provas reunidas durante a investigação. O promotor explicou que, enquanto uma confissão espontânea pode resultar em redução de pena, a legítima defesa representa a tese de que o acusado acredita ter agido corretamente.
"Para o Ministério Público é diferente. A confissão espontânea gera um direito à redução de pena. Já a legítima defesa é uma tese de defesa de quem entende que agiu corretamente", afirmou.
O promotor também informou que os dois coacusados, investigados apenas pela ocultação dos corpos, optaram por confessar o crime e permanecer em silêncio durante os questionamentos do Ministério Público e do magistrado, respondendo apenas às perguntas formuladas pelas respectivas defesas.
"Como são vários réus, teremos um período longo de debates, mas a expectativa é que o júri termine ainda hoje, independentemente do horário", acrescentou o promotor Ivaldo da Silva.
Relembre a chacina que chocou Arapiraca
O crime ocorreu em 13 de abril de 2024, no Sítio Laranjal, zona rural de Arapiraca. As vítimas foram Letícia da Silva Santos, de 20 anos; Lucas da Silva Santos, de 15 anos; Joselene de Souza Santos, de 17 anos; e Erick Juan de Lima Silva, de 20 anos.
Segundo as investigações, Letícia e Joselene haviam saído com o empresário, escultor e colecionador de armas (CAC), acompanhando-o até uma agência bancária. Na volta para a propriedade, também passaram por uma pizzaria no bairro Boa Vista.
Ao chegarem ao imóvel, Erick e Lucas questionaram a presença do empresário. Conforme a denúncia do Ministério Público, os dois rapazes foram mortos primeiro, e as jovens teriam sido executadas em seguida para eliminar testemunhas.
Todos foram atingidos por disparos de arma de fogo na cabeça e os corpos foram encontrados dentro de uma cacimba.
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