MPAL denuncia empresa e sócios por morte de 80 cavalos de raça em Atalaia e prejuízo de mais de R$ 82 milhões

Por Redação 17/08/2026 10h10 - Atualizado em 17/08/2026 10h10
Por Redação 17/08/2026 10h10 Atualizado em 17/08/2026 10h10
MPAL denuncia empresa e sócios por morte de 80 cavalos de raça em Atalaia e prejuízo de mais de R$ 82 milhões
Cavalo da raça mangalarga marchador - Foto: Reprodução

Uma grave contaminação por insumos proibidos em rações animais resultou na morte de 80 cavalos de alto valor genético da raça mangalarga marchador em um criatório no município de Atalaia, em Alagoas, acumulando um prejuízo financeiro que ultrapassa os R$ 82 milhões. 

O Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da 2ª Promotoria de Justiça Local, denunciou os responsáveis pelo fornecimento das rações e solicitou à Justiça o bloqueio e a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e ativos financeiros das partes envolvidas.

A intoxicação provocou um quadro severo de falência orgânica nos animais, caracterizado por sintomas graves como cegueira, falta de coordenação motora, comportamento agitado por dor extrema e insuficiência hepática. 

Laudos do Ministério da Agricultura e Pecuária confirmaram a presença de substâncias altamente tóxicas na composição dos produtos fornecidos, originadas do uso de resíduos de soja contaminados por plantas do gênero Crotalaria. 

A fiscalização também identificou irregularidades no processo produtivo, como armazenamento inadequado de matérias-primas e ausência de pesagem e segregação individualizada na fabricação.

Investigações indicam que as reclamações sobre óbitos começaram no final de abril de 2025, mas os procedimentos internos de verificação e o recolhimento parcial do produto demoraram semanas para ocorrer. Depoimentos integrados aos autos revelaram que as informações apresentadas em notas técnicas continham dados incorretos e que o fornecimento continuou mesmo após o conhecimento sobre os riscos. 

Além dos 80 equinos mortos no haras atingido em Alagoas, a contaminação causou a morte de pelo menos mais 284 cavalos em diversos outros estados do país, somando no mínimo 364 vítimas no total e configurando crimes ambientais e contra as relações de consumo.