Referência do jornalismo político, alagoano Luiz Gutemberg morre aos 88 anos

Por Correio Braziliense 17/08/2026 09h09
Por Correio Braziliense 17/08/2026 09h09
Referência do jornalismo político, alagoano Luiz Gutemberg morre aos 88 anos
Jornalista morre em Brasília - Foto: Reprodução

Morreu neste domingo (16/8), em Brasília, o jornalista, romancista e biógrafo alagoano Luiz Gutemberg, de 88 anos, após longa internação para tratar uma pneumonia, no Hospital do Coração. 

Casado com a também jornalista Rosângela Bittar, ex-chefe da sucursal do Jornal do Brasil em Brasília e ex-repórter especial do Estado de S. Paulo e pai de Olívia, ele formou uma legião de jornalistas e transformou-se em referência para a imprensa política. 

O velório será nesta segunda-feira (17/8), das 14h às 16h, na Capela 10 do Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul.

Nascido em Maceió (AL), aos 16 anos, Gutumberg começou no jornalismo na Gazeta de Alagoas. Aos 18, Gut, como era chamado, mudou para o Rio de Janeiro, onde entrou em contato com principais nomes da imprensa brasileira. Em meio a tantas atividades, foi professor na Universidade de Brasília (UnB) e assessor especial da Presidência da República no governo José Sarney.

No Jornal do Brasil, Gutemberg participou da histórica renovação editorial e gráfica conduzida por Odylo Costa Filho, que transformou o JB em referência do jornalismo brasileiro. Também trabalhou na revista Manchete, ao lado de jornalistas como Alberto Dines e Nahum Sirotsky. Em Brasília, na década de 80, marcou época como editor-geral do Jornal de Brasília, na época um projeto renovador no jornalismo político brasileiro.

Foi dono do jornal JOSÉ, semanal, de análise política. Em 1969, Gutemberg mudou para Brasília para trabalhar na Veja, quando cobriu os bastidores dos governos militares. É descrito como um dos "últimos grandes representantes do melhor jornalismo político praticado no Brasil nos últimos 60 anos" e "ícone do jornalismo político brasileiro".

Gutemberg escreveu os romances O Anjo Americano, O homem que enganou o diabo… e ainda pediu troco, O jogo da gata parida — virou referência para entender a atuação do SNI na sucessão dos presidentes militares — , Auto da perseguição e Morte do Mateu. É autor das biografias: Moisés - codinome Ulysses Guimarães, Quem é… Pedro Simon e Quem é… Jorge Bornhausen. Ele foi o organizador da edição comemorativa sobre Ulysses Guimarães.

Com mais de sete décadas dedicadas ao jornalismo, Gutemberg ainda encontrava tempo para o ativismo ambiental. Em 2022, ele participou do documentário Luiz Gutemberg: uma história de luta na RESEX Mestre Lucindo, que conta como se envolveu à criação da Reserva Extrativista Marinha Mestre Lucindo no Pará.