Saiba como funciona a nova ‘pílula emagrecedora’ aprovada no Reino Unido
Os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), trouxeram uma verdadeira revolução para o tratamento de pacientes com diabetes e obesidade. Algumas pessoas, no entanto, são sensíveis à forma de aplicação de tais medicamentos, feita de forma subcutânea. O armazenamento na geladeira também pode representar um desafio. Uma nova proposta farmacêutica pode aliviar esses desconfortos: trata-se de uma pílula diária voltada para perda de peso e controle do diabetes tipo 2.
O medicamento, chamado Foundayo e produzido pela farmacêutica Eli Lilly, foi autorizado nesta segunda-feira no Reino Unido pela Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), agência reguladora britânica de medicamentos e dispositivos médicos. O país tornou-se o primeiro da Europa a permitir o uso do comprimido, após aprovação dos Estados Unidos.
Segundo a Reuters, ainda não há detalhes sobre o preço do medicamento no Reino Unido.
Como funciona o Foundayo?
O Foundayo, cujo princípio ativo é o orforglipron, é um medicamento da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a mesma de remédios como Mounjaro e Wegovy. A substância imita a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo após as refeições, atuando em regiões do cérebro relacionadas ao apetite. Com isso, aumenta a sensação de saciedade, reduz a fome e a vontade de comer.
Uma diferença entre o Foundayo e as medicações já conhecidas é que ele possui uma molécula diferente dos remédios que mimetizam o mesmo hormônio. Segundo estudos mais recentes, ele promove uma perda de até 15% do peso em 36 semanas.
A medicação é consumida de forma oral, tomada uma vez por dia, e oferece a vantagem de não precisar de jejum antes do consumo. Além disso, tem potencial para um preço mais baixo — cerca de sete vezes mais barata que o Monjauro — e só pode ser vendida com orientação médica nos EUA e Reino Unido.
Estudos recentes
Um dos estudos mais recentes sobre o orforglipron foi publicado em 13 de maio na revista Nature Medicine. Os resultados se mostraram promissores.
O objetivo da análise foi avaliar a eficácia e a segurança do orforglipron em comparação com o placebo na manutenção da redução do peso corporal após 72 semanas de tratamento. Quando administrado por via oral diariamente, o medicamento apresentou eficácia na perda de peso, melhorias nos fatores de risco cardiometabólicos e segurança geralmente semelhante a dos agonistas do receptor de GLP-1 injetáveis, presentes no Mounjaro e no Ozempic. Os participantes perderam entre 12% e 15% do peso corporal.
No entanto, o artigo avaliou que "a manutenção desses benefícios à saúde requer administração contínua, o que pode ser um desafio". Ou seja, o paciente pode voltar a ter índices de insulina mais altos no sangue após a interrupção do tratamento com o orforglipron.
"O reganho de peso após a interrupção das intervenções para perda de peso, independentemente da modalidade de perda de peso, foi demonstrado, ressaltando a necessidade de terapia contínua para minimizar as alterações no peso corporal e manter as melhorias nos parâmetros cardiometabólicos após a redução de peso, com o objetivo final de preservar os benefícios para a saúde geral", avalia a publicação.
Os eventos adversos mais comuns encontrados pelo estudo não são preocupantes, como efeitos gastrointestinais, em sua maioria de intensidade leve a moderada. A publicação ressalta, no entanto, que não houve um grupo que continuasse usando as canetas emagrecedoras para ser comparado ao que passou para a pílula e que o estudo teve duração curta, de 2 meses, e que o ideal seria testá-los por um ano.
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