Após morte de bebê na recepção, pacientes relatam demora e descaso no Hospital da Cidade

Por Redação 04/08/2026 19h07
Por Redação 04/08/2026 19h07
Após morte de bebê na recepção, pacientes relatam demora e descaso no Hospital da Cidade
Hospital da Cidade, Maceió - Foto: Assessoria

A morte do bebê Nikolas, que nasceu prematuro na recepção do Hospital da Cidade, em Maceió, nessa segunda-feira (3), levou pacientes e familiares a relatarem nas redes sociais experiências negativas vividas na maternidade da unidade.

Segundo a família, Morgana chegou ao hospital com fortes dores e contrações e teria aguardado cerca de uma hora por atendimento. Durante a espera, entrou em trabalho de parto ainda na recepção, onde o bebê nasceu sem assistência imediata da equipe médica. Nikolas não resistiu após o parto.

Com a repercussão do caso, mães, gestantes e acompanhantes passaram a compartilhar relatos de supostas falhas no atendimento. As principais queixas envolvem demora para acolhimento de grávidas em trabalho de parto, superlotação, falta de leitos, condições inadequadas de alguns ambientes e dificuldades no atendimento inicial da recepção.

Um dos relatos foi publicado por Ítalo Pietro, que afirmou ter acompanhado a esposa durante o parto na unidade. Segundo ele, a gestante estava com contrações intensas, mas os funcionários demoraram para chamar um enfermeiro.

“Minha esposa teve filho aí. A recepção é péssima, desumana, desqualificada. Minha esposa estava com as contrações uma em cima da outra e eles na recepção nem aí”, escreveu.

Outra mãe relatou ter encontrado a sala de parto suja e com sangue ao dar à luz um bebê prematuro de 28 semanas. Ela também contou que outro filho permaneceu internado em UTI neonatal por 19 dias, mas morreu após complicações.

Uma gestante que faz pré-natal na unidade afirmou ter presenciado a chegada de uma mulher com a bolsa rompida e em fortes dores. Segundo ela, uma recepcionista teria dito: “Calma, a gente tem uma hora”. A paciente também relatou superlotação e afirmou que muitas grávidas estariam sendo encaminhadas ao Hospital da Cidade após encontrarem outras maternidades sem vagas.

Outra paciente, identificada como Moniky, contou que procurou a emergência às 6h por causa de pressão alta e só teria sido atendida quase três horas depois. Ela afirmou ainda que passou o restante do dia aguardando exames na recepção, sem leito disponível e sem acompanhante.

“Vocês precisam ver o descaso que é a entrada da maternidade de urgência e emergência. Na mídia é tudo lindo”, escreveu.

Os relatos divulgados nas redes sociais representam experiências pessoais que ainda precisam ser apuradas individualmente. As manifestações ampliam os questionamentos sobre o atendimento prestado à mãe de Nikolas e sobre as condições de funcionamento da recepção da maternidade do Hospital da Cidade.

Até o momento, o Hospital da Cidade não havia divulgado posicionamento oficial sobre as denúncias feitas pela família de Morgana nem sobre os relatos apresentados por outros pacientes. O espaço segue aberto para manifestação da unidade hospitalar.