Encomendas internacionais disparam 118% após fim da 'taxa das blusinhas'

Por Redação com G1 26/07/2026 17h05
Por Redação com G1 26/07/2026 17h05
Encomendas internacionais disparam 118%  após fim da 'taxa das blusinhas'
Taxa das blusinhas - Foto: Reprodução

O fim da chamada "taxa das blusinhas" provocou uma explosão nas compras internacionais de baixo valor no Brasil. Dados da Receita Federal mostram que, em junho de 2026, primeiro mês completo sem a cobrança do Imposto de Importação sobre remessas de até US$ 50, o país recebeu 28,36 milhões de encomendas internacionais, registrando um dos maiores volumes já contabilizados para esse tipo de operação.

Em relação a junho de 2025, quando foram registradas 13,02 milhões de remessas, o aumento foi de 118%. Na comparação com abril de 2026, último mês antes da incidência da cobrança, quando chegaram 16,51 milhões de encomendas, a alta foi de 72%. Já em relação à média dos quatro primeiros meses deste ano, de 15,42 milhões de remessas, o avanço alcançou 84%.

A extinção da taxa foi recebida com entusiasmo por grande parte dos consumidores brasileiros. O imposto era alvo de críticas por elevar o custo de produtos populares vendidos por plataformas internacionais, reduzindo a competitividade de itens de baixo valor. Muitos consumidores também apontavam desigualdade em relação aos viajantes internacionais, que podem retornar ao país com mercadorias dentro de uma cota de isenção sem pagar imposto de importação.

Enquanto consumidores comemoram, representantes do varejo nacional demonstram preocupação com os efeitos da medida sobre a economia brasileira. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), entidade que reúne grandes redes como Americanas, Dafiti, Centauro, Casas Bahia, Lojas Renner e Magazine Luiza, afirma que o aumento das compras em plataformas estrangeiras poderá impactar negativamente o comércio nacional.

Segundo o IDV, embora parte da desaceleração das vendas em junho possa ser atribuída à realização da Copa do Mundo, outro fator relevante é o crescimento das compras em plataformas internacionais beneficiadas pela alíquota zero do Imposto de Importação. Para a entidade, esse movimento poderá resultar, no médio prazo, em redução de investimentos e geração de empregos no varejo brasileiro.

A discussão também mobilizou diversas Frentes Parlamentares do Congresso Nacional, entre elas as do Comércio e Serviços, do Ambiente de Negócios, Pelo Brasil Competitivo e de Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria. Em manifestação conjunta, os parlamentares defenderam a igualdade de tratamento tributário entre empresas nacionais e estrangeiras.