Casal de pastores é suspeito de abusar sexualmente de seis meninas em Roraima
Um casal de pastores, de 24 anos, é investigado pela Polícia Civil por suspeita de abusar sexualmente de ao menos seis adolescentes meninas em Roraima. Os suspeitos usavam a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das vítimas, segundo a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
O homem é investigado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. A mulher responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
A investigação contra o casal começou em abril, a partir da denúncia de uma adolescente, de 14 anos. Depois, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, relataram que também tinham sido abusados pelo casal.
O esquema funcionava por meio de manipulação psicológica e religiosa. A investigação identificou que a pastora atraía e se aproximava das vítimas, enquanto o marido utilizava a posição de líder religioso e interpretações de passagens bíblicas para convencê-las de que os atos sexuais tinham propósito espiritual.
Além disso, o casal oferecia dinheiro, PIX e outras vantagens, como jantares, para manter as adolescentes em silêncio.
"As práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica", detalhou a polícia.
No relatório final da investigação, a delegada da DPCA, Kamilla Basto, citou que o trabalho foi desafiadora porque os crimes envolveram o ambiente de confiança e fé, o que impedia que manifestassem um consentimento livre para os atos.
"Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento", disse.
O casal, ainda conforme a polícia, por ocupar a posição de líderes desencorajava denúncias ao fazer com que fiéis e vítimas temessem ser acusados de rebeldia na igreja. A Polícia Civil afirma que esse receio era reforçado por uma regra prevista no estatuto da igreja, que previa o desligamento de membros que promovessem dissidências ou se rebelem contra a autoridade religiosa.
"Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei", reforçou a delegada Kamila.
Suspeito tentou destruir provas
A investigação também aponta que o pastor tentou eliminar provas armazenadas em um celular. Ele pediu que uma jovem de 20 anos destruísse o aparelho com a ajuda de uma adolescente e de uma das vítimas, segundo a investigação.
Por conta disso, a jovem foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.
Além disso, segundo a polícia, para tentar ocultar a destruição do celular, o homem orientou uma das vítimas a registrar um boletim de ocorrência informando falsamente o desaparecimento do aparelho.
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