EUA bombardeiam alvos no Irã após ataques a navios no Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos realizaram, nesta terça-feira, 07, uma série de ataques contra alvos no Irã em resposta aos disparos contra três navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo. A ação foi confirmada pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom).
Segundo o Centcom, a operação militar busca impor "custos elevados" ao governo iraniano após os ataques contra embarcações civis que transitavam pela região. Em comunicado oficial, o comando americano afirmou que o episódio representa uma clara violação do cessar-fogo firmado entre os dois países após o conflito iniciado no fim de fevereiro.
Enquanto os bombardeios eram realizados, a televisão estatal iraniana informou que diversas explosões foram registradas na cidade portuária de Sirik, localizada no sul do país e próxima ao Estreito de Ormuz.
Até o momento, as autoridades iranianas não divulgaram informações sobre vítimas ou sobre os danos causados pelos ataques.
O governo iraniano reagiu rapidamente. De acordo com a mídia estatal, o ministro das Relações Exteriores classificou a ofensiva americana como uma violação do cessar-fogo e afirmou que Teerã responderá com ações consideradas "decisivas" diante da escalada militar.
Horas antes da ofensiva americana, a agência britânica de segurança marítima UKMTO havia informado que três navios comerciais foram atingidos por projéteis enquanto cruzavam o Estreito de Ormuz. Apesar dos danos às embarcações, não houve registro de feridos entre as tripulações.
O governo do Catar informou que um dos navios atingidos era o petroleiro Al Rekayyat e atribuiu ao Irã a responsabilidade pelo ataque. Nos bastidores, segundo informações divulgadas pela Reuters, autoridades americanas também responsabilizavam Teerã pelo incidente, o que acelerou a decisão de realizar a resposta militar.
A nova escalada ocorre mesmo após o acordo de cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã nos últimos meses. Apesar do aumento das tensões, representantes dos dois governos continuam mantendo negociações diplomáticas. Um integrante da administração americana afirmou à Reuters que os diálogos seguem sendo conduzidos "de boa-fé", com o objetivo de alcançar um acordo definitivo de paz.
O controle sobre o Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de divergência nas negociações entre os dois países. A região é considerada estratégica por concentrar uma parcela significativa do transporte marítimo mundial de petróleo, tornando qualquer conflito local capaz de provocar impactos na economia internacional e nos preços da energia.
Além da resposta militar, os Estados Unidos anunciaram novas medidas econômicas contra o Irã. O governo americano revogou a licença que suspendia temporariamente as restrições às exportações de petróleo iraniano, restabelecendo as sanções ao setor energético do país.
A autorização havia sido concedida em junho como parte do acordo de cessar-fogo e permitia que o Irã produzisse, comercializasse e exportasse petróleo bruto e derivados até o dia 21 de agosto. Com a revogação da licença, Washington endurece novamente sua política de pressão econômica sobre Teerã.
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