Morre Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’, aos 56 anos
Conhecida internacionalmente pela graphic novel e pela adaptação cinematográfica de Persépolis, a autora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu hoje (4), aos 56 anos.
A causa oficial da morte – confirmada por familiares à AFP – não foi divulgada, mas segundo pessoas próximas, a autora morreu “de tristeza”: há pouco mais de um ano, Marjane perdeu o marido Mattias Ripa, “o amor de sua vida”.
“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, diz o comunicado divulgado por seus parentes, segundo a rede TV Euronews.
Nascida em Rasht, no Irã, em 22 de novembro de 1969, Marjane Satrapi ficou conhecida, entre outros motivos, por suas críticas ao regime teocrático de seu país. Marjane chegou à França em 1994 e obteve a nacionalidade francesa 12 anos depois, segundo o jornal francês Le Monde.
O jornal também relembra a trajetória de Satrapi no cinema, incluindo a direção da adaptação de sua própria graphic novel, Persépolis, codirigida por Vincent Paronnaud, que conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicada ao Oscar, em 2008.
Na época, a autora dedicou a obra ao seu país: “Mesmo que este seja um filme universal, quero dedicar este prêmio a todos os iranianos”.
Repercussão
A antropóloga Lilia Schwarcz se manifestou sobre a morte de Marjane, via redes sociais. “Ela foi uma das escritoras mais originais e corajosas de nosso tempo. Fez da linguagem dos quadrinhos uma forma de resistência”, afirmou Lilia, que conheceu o trabalho da iraniana com o livro Persépolis, considerado uma obra-prima em quadrinhos.
“Nela, Satrapi conta a história de uma menina que cresceu durante a Revolução Iraniana e aprendeu, desde cedo, como a política pode invadir os corpos, os afetos e mudar o cotidiano. Mas Satrapi sempre recusou os simplismos e caricaturas fáceis. Criticou a repressão do regime sem jamais aceitar os estereótipos ocidentais sobre seu país. Seu traço em preto e branco tornou-se inconfundível. E sua arte mostrou que a autobiografia pode ser uma forma de história, que a memória pode ser um ato político e que contar a própria vida é, muitas vezes, uma maneira de defender a liberdade”, escreveu a antropóloga.
Em entrevista ao g1 em 2007, Marjane falou sobre como os quadrinhos se tornaram uma forma de contar sua própria história e a realidade de seu país.
“Pode parecer irônico criar uma realidade em quadrinhos para contar a realidade do meu país, mas é isso mesmo. Eu sempre amei desenhos e descobri neles a melhor forma de contar minha história”, afirmou.
Para Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, Marjane era “uma artista extraordinária e uma mulher cativante que personificava a alegria da criação e a tristeza do exílio e das memórias dolorosas”, afirmou.
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