Iraniana vencedora do Nobel da Paz perde 19 kg na prisão e tem tratamento negado após infarto
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, enfrenta risco iminente de morte após meses sem acesso a tratamento médico adequado em uma prisão no Irã, segundo comunicado divulgado na quarta-feira (29) pela Fundação Narges.
A ativista sofreu um ataque cardíaco em março. A fundação afirma que ela perdeu mais de 19 quilos e tem dores constantes no peito.
Advogados que visitaram Mohammadi na segunda-feira (28) dizem que o estado de saúde dela chegou a um ponto crítico. Segundo o comunicado, a pressão arterial permanece em níveis perigosos e não responde aos medicamentos.
De acordo com a organização, autoridades iranianas se recusaram a suspender temporariamente a pena para permitir atendimento cardíaco especializado, apesar de recomendações médicas. O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, afirmou que a família teme pela vida dela.
"Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta", disse.
A ativista passou por três angioplastias nos últimos anos e precisa ser acompanhada pelo próprio médico em um hospital especializado em Teerã. No entanto, o pedido foi rejeitado pelas autoridades iranianas.
A Fundação Narges pediu à comunidade internacional, às Nações Unidas e a entidades de direitos humanos que pressionem o Irã pela transferência imediata para um hospital especializado e pela libertação dela e de outros presos.
Infarto e prisão
O estado de saúde da ativista se agravou após uma crise cardíaca grave em 24 de março. Mohammadi teve dores no peito, perdeu a consciência e recebeu atendimento apenas na enfermaria da prisão, segundo familiares.
Mohammadi, de 53 anos, foi presa novamente em dezembro de 2025 após críticas ao governo iraniano. Em fevereiro deste ano, recebeu uma nova condenação que ampliou a pena em sete anos e meio.
Transferida para a prisão central de Zanjan, no norte do país, ela enfrenta condições consideradas severas por organizações de direitos humanos.
A ativista ganhou o Nobel da Paz em 2023 por mais de duas décadas de atuação contra a pena de morte e pela defesa dos direitos das mulheres no Irã.
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