Frutas geradas por IA vivem novelas de traição e drama no TikTok
Ele é o galã do momento nas redes sociais. É um conquistador e tem relacionamentos com morangos, laranjas e maçãs. Mas não se trata de um ator, mas sim de uma banana falante criada por inteligência artificial. As histórias protagonizadas por frutas antropomórficas viraram tendência no TikTok, com tramas cheias de traições, intrigas e reviravoltas absurdas.
Uma dessas é a série “Fruit Love Island”, inspirada no reality “Love Island”. Em apenas 10 dias, a conta AI.Cinema021, responsável pela produção, ultrapassou 3,3 milhões de seguidores.
Todas essas novelinhas têm algo em comum: episódios em formato de microdrama, com vídeos curtos, roteirizados e feitos para consumo rápido no celular. A estética, no entanto, está longe de ser refinada. Os personagens mudam de forma, cenas terminam abruptamente e os roteiros muitas vezes desafiam a lógica.
Esse tipo de conteúdo se encaixa no que o dicionário Merriam-Webster define como “slop”, material digital de baixa qualidade produzido em larga escala com auxílio de inteligência artificial. Ainda assim, o engajamento é alto e os vídeos acumulam milhões de visualizações.
A tendência ganhou força nos últimos meses, segundo o banco de dados Know Your Meme. Criadores passaram a explorar narrativas cada vez mais extravagantes: de romances proibidos entre frutas a histórias surreais envolvendo “bebês-fruta” e paródias de séries populares, como “The Summer I Turned Fruity”, uma versão de “The summer I turned pretty” (“O verão que mudou a minha vida”).
Críticos apontam a falta de criatividade e o caráter repetitivo dos vídeos e levantam preocupações sobre o impacto da inteligência artificial na produção cultural. Em fóruns on-line, usuários questionam por que conteúdos considerados “malfeitos” conseguem tanta popularidade.
Especialistas veem o fenômeno como um reflexo da lógica das plataformas digitais. Para Michael Grabowski, da Universidade de Manhattan, esse tipo de produção funciona como uma espécie de fanfic em vídeo. Já que essas tramas têm estruturas simples, fáceis de replicar e remixar pela IA.
Jessica Maddox, da Universidade da Geórgia, avalia que o uso de referências conhecidas ajudou a impulsionar o formato e não descarta que ideias semelhantes cheguem a produções comerciais. Para ela, o sucesso desses vídeos mostra que a IA generativa está se tornando cada vez mais normalizada.
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