Anvisa aprova versão multidose do Mounjaro para diabetes tipo 2 e obesidade
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou na quarta-feira (18) o registro da versão multidose do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e para o controle do peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso.
A nova apresentação, fabricada pelo laboratório americano Eli Lilly, diferentemente das canetas descartáveis já disponíveis no mercado, utiliza uma versão reutilizável, que permite múltiplas aplicações a partir de um mesmo frasco. A receita médica é obrigatória para a compra e ainda não há uma estimativa de valor no Brasil.
O tratamento com o Mounjaro funciona em doses semanais, com quatro aplicações por mês. "Anteriormente, quando se comprava o Mounjaro, tinham quatro canetas, cada uma com uma dose única de aplicação", explica Felipe Henning Gaia Duarte, endocrinologista e presidente da Sbem-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia regional de São Paulo). "Essa caneta atual vem com as quatro doses dentro e você regula cada dose para aplicar, durando o mês inteiro."A versão multidose do mounjaro chega em seis concentrações: 4,17 mg/ml, 8,33 mg/ml, 12,5 mg/ml, 16,7 mg/ml, 20,8 mg/ml e 25 mg/ml.
Em nota, a Eli Lilly afirma que o novo dispositivo "mantém os padrões de qualidade, segurança e eficácia" do Mounjaro e que aguarda a definição de preço pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) para estabelecer o valor de venda no Brasil.
Hoje, a versão já disponível, vendida em caixas com quatro canetas, custa entre R$ 1.400 e R$ 2.800, segundo estimativas com base em consultas a farmácias.
A tirzepatida é um análogo duplo que age nos receptores de GLP-1 e GIP, hormônios gastrointestinais que regulam o apetite e o nível de glicose no sangue.
Ao simular essas substâncias produzidas naturalmente pelo organismo após a ingestão de alimentos, aumenta a sensação de saciedade, leva o paciente a comer menos e, consequentemente, a perder peso. Estudos indicam perda média de 20% do peso corporal após 72 semanas de tratamento.
A aplicação é subcutânea, feita na camada de gordura sob a pele, e os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais, como náusea, constipação, diarreia e vômito.
Em relação ao preço, Duarte afirma que a Sbem-SP não espera elevação de custo com a mudança de formato, e que há expectativa de redução. "Por ter menos componentes na parte industrializada, esperamos alguma redução de preço em relação às canetas separadas, o que poderia melhorar a adesão ao tratamento", diz.
Em termos de segurança, o especialista afirma que não há preocupações adicionais. Como a caneta é programada para aplicar a dose recomendada, o principal risco seria o paciente não regulá-la corretamente e acabar usando uma dose menor, o que reduziria o efeito do medicamento, mas não representaria risco à saúde.
A entidade também não vê distinção entre o novo formato e as canetas individuais no que diz respeito ao uso inadequado para emagrecimento sem indicação médica.
Especialistas reforçam que o medicamento deve ser visto como uma ferramenta auxiliar para perda de peso, e não como solução isolada. Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física regular são fundamentais para evitar o reganho de peso ao longo do tratamento.
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