Um terço dos homens da geração Z diz que esposas devem obedecer maridos, diz estudo
Uma pesquisa realizada pelo King’s College London em parceria com a Ipsos revelou que uma parcela significativa dos homens da geração Z possui visões mais tradicionais sobre papéis de gênero. O levantamento analisou dados de mais de 23 mil pessoas em 29 países.
De acordo com o estudo, quase um terço dos homens nascidos entre 1997 e 2012 acredita que as esposas devem obedecer aos maridos.
O resultado contrasta com a visão de gerações mais antigas, como os baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964.
Para a psicanalista Camila Menezes, esse movimento pode estar ligado ao sentimento de ameaça diante do avanço do empoderamento feminino e à busca por pertencimento entre os homens jovens.
“Se sou um homem a favor da igualdade, posso ser visto como menos masculino ou mais fraco. Isso gera receio de não ser aceito por outros homens”, explica.
O estudo também identificou percepções contraditórias sobre os papéis de gênero. Apenas 17% dos entrevistados afirmam acreditar que as mulheres devem ser as principais responsáveis pelos filhos. No entanto, 35% dizem que essa é a expectativa da sociedade.
A mesma diferença aparece em outras áreas. Enquanto 16% defendem que tarefas domésticas sejam majoritariamente femininas, 35% acreditam que essa é a norma social predominante. Já em relação ao sustento financeiro da família, 24% dizem que o homem deveria ser o principal provedor, mas 40% afirmam que essa é a expectativa social.
O psicólogo José Carlos Ferrigno, autor do livro Da Infância à Velhice: O Fenômeno Cultural das Gerações, aponta que o crescimento de movimentos políticos conservadores em diversos países pode influenciar a forma como as novas gerações enxergam as relações de gênero.
A pesquisadora Beatriz Besen também destaca a presença de discursos antifeministas em grupos organizados, com influenciadores e jovens políticos defendendo papéis de gênero mais tradicionais.
Entre os dados do estudo, 24% dos homens da geração Z afirmam que mulheres não deveriam parecer “independentes ou autossuficientes demais”. Ao mesmo tempo, 41% dizem considerar mulheres com carreiras de sucesso mais atraentes.
O levantamento ainda aponta que 59% dos homens dessa geração acreditam que existe uma pressão excessiva para que apoiem a igualdade de gênero. O Brasil registrou o maior índice nessa percepção: 70% dos entrevistados disseram sentir essa cobrança.
Além disso, 57% dos homens jovens afirmam que os avanços na igualdade feminina já passaram a discriminar os homens. Globalmente, metade da população (50%) acredita que os esforços pela igualdade de gênero já foram longe o suficiente.
Especialistas afirmam que esses resultados refletem tensões e mudanças nas expectativas sociais sobre masculinidade e divisão de responsabilidades dentro das relações.
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