Sistema Agroflorestal em Arapiraca fortalece produção sustentável
O Sistema Agroflorestal (SAF) Terra Mãe, desenvolvido no Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), vem se consolidando como uma iniciativa que integra ensino, pesquisa e extensão, com foco na produção sustentável de alimentos e no fortalecimento da agricultura familiar.
O projeto tem a proposta de aplicar, na prática, conhecimentos acadêmicos relacionados aos sistemas agroflorestais e à agroecologia, combinando culturas de ciclos curto, médio e longo com espécies arbóreas, reproduzindo a dinâmica natural de uma floresta produtiva, além de promover melhorias na qualidade do solo e na biodiversidade local.
“Terra Mãe é um nome que remete à Pachamama, à Terra como fonte de vida. É um conceito que dialoga diretamente com nossa proposta de produzir alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, recuperar o ambiente. Colocamos Terra Mãe porque é essa parte da terra de onde brota a vida, a alimentação, onde a gente vive”, explicou Cícero Adriano Vieira, coordenador do curso de Agronomia e idealizador da SAF.
Atualmente , o projeto cultiva cerca de 15 espécies, entre hortaliças, frutíferas e plantas arbóreas. “Já temos banana, mamão, pimentão e tomate em produção. Presentes no sistema estão couve, quiabo, abóbora, banana, mamão, moringa, aroeira, goiaba, limão, laranja e até café.”, destacou o coordenador.
Além da diversidade produtiva, o projeto adota práticas de manejo sustentável, como a cobertura do solo com madeira triturada proveniente de podas urbanas e o uso de irrigação por gotejamento.
“A cobertura do solo reduz a incidência direta do sol, mantém a umidade e, com o tempo, transforma-se em matéria orgânica, enriquecendo o solo. É visível a diferença entre áreas cobertas e descobertas”, ressaltou.
De acordo com o coordenador, um dos principais objetivos do sistema agroflorestal é ampliar a autonomia dos agricultores familiares, reduzindo a dependência de insumos externos, focando tanto na produção de alimentos, quanto na recuperação da natureza.
“O agricultor familiar vai produzir sem depender de adubos sintéticos, fertilizantes minerais ou sementes transgênicas. O próprio sistema gera adubação orgânica. Como é um policultivo, há produção contínua que vão desde hortaliças até frutas e espécies destinadas à lenha, estacas e, no longo prazo, até madeira para móveis. Também é possível integrar a criação de animais”, disse Adriano.
Expansão do projeto
A experiência da Terra Mãe servirá de base para a implantação de novos SAFs em comunidades rurais. Atualmente, o projeto já conta com parceria com o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Campus Murici, e recentemente o Núcleo de Estudo Agroecológico (Neia), um projeto aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), prevê a implementação de novos sistemas agroflorestais em territórios indígenas, quilombolas e assentamentos.
“Serão três na aldeia indígena Tinguibotó, três no quilombo Carrasco, em Arapiraca, e três em assentamentos, sendo inicialmente em Rendeiras, mas estamos discutindo a possibilidade de implantar no assentamento José Lenilson e em Teotônio Vilela, onde há maior disponibilidade de água. Até porquê nosso objetivo não é criar um modelo fechado, mas uma inspiração. Queremos construir essas experiências junto às comunidades, respeitando suas realidades e promovendo capacitação”, explicou o coordenador.
Papel estratégico da universidade
Para o professor, a universidade pública desempenha um papel essencial no desenvolvimento de tecnologias sociais e sustentáveis voltadas às demandas regionais.
“Poucas instituições têm a estrutura, as áreas experimentais e profissionais qualificados para desenvolver e testar sistemas como esse. A Ufal cumpre seu papel ao contribuir para a melhoria da qualidade de vida no campo e para a produção de alimentos saudáveis”, reafirmou.
Ele contou que, por estar localizado em uma região marcada pela agricultura familiar, o Campus Arapiraca vem ampliando pesquisas e ações voltadas ao desenvolvimento rural sustentável e reforçou que o espaço está aberto à visitação e ao diálogo com agricultores, instituições e entidades ligadas ao setor.
“O que fazemos aqui é contribuir para o desenvolvimento da região e para a agricultura familiar camponesa. A universidade está de portas abertas. Queremos que agricultores familiares, técnicos e parceiros conheçam o sistema e se somem a essa construção”, finalizou.
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