Trump eleva tarifas globais para 15% após decisão da Suprema Corte dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na tarde deste sábado, 21, que vai elevar as tarifas globais de importação para 15%, ampliando a política tarifária que já vinha sendo aplicada sobre produtos estrangeiros.
A decisão ocorre um dia após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar o chamado “tarifaço” imposto no ano passado, reacendendo o embate entre o Executivo e o Judiciário e intensificando o debate sobre comércio internacional.
O anúncio foi feito por meio de publicação na rede social Truth Social, criada pelo próprio Trump. Menos de 24 horas antes, o presidente havia informado que utilizaria um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. Agora, o percentual foi elevado para 15%, no que classificou como o “nível legalmente permitido”.
Segundo Trump, a medida tem como objetivo corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que, em sua avaliação, prejudicaram a economia americana e a competitividade das empresas nacionais. No comunicado, o presidente afirmou que, após “uma análise completa e detalhada” da recente decisão da Suprema Corte contrária a parte de sua política tarifária, decidiu aumentar imediatamente a tarifa mundial de 10% para 15%.
Na mensagem publicada por volta das 13h, Trump declarou que a elevação das tarifas é legal e respaldada pelos instrumentos jurídicos existentes. Ele também informou que, nas próximas semanas, sua administração vai definir “as novas tarifas legais e permissíveis” que serão aplicadas globalmente, sinalizando possíveis novas mudanças na política comercial dos Estados Unidos.
O presidente reforçou ainda que a iniciativa integra a estratégia do movimento “Make America Great Again”, afirmando que continuará trabalhando para tornar o país “maior do que nunca”. Em trecho da publicação, escreveu: “Como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito imediato, elevando a tarifa mundial de 10% sobre os países (...) para o nível legalmente permitido de 15%”.
A decisão ocorre após a Suprema Corte barrar parte da política tarifária do governo. O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator do caso e liderou a maioria que votou contra o tarifaço. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh ficaram vencidos.
No voto, Roberts afirmou que Trump precisa de “autorização clara do Congresso” para justificar a imposição ampla de tarifas de importação, citando precedentes da própria Corte. O processo teve início em meados de 2025, após empresas afetadas pelas tarifas e 12 estados americanos — a maioria governada por democratas — questionarem na Justiça o uso de uma lei federal para impor tarifas de forma unilateral.
Na prática, os juízes confirmaram decisão de instância inferior que concluiu que o presidente extrapolou sua autoridade ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, para sustentar o aumento das tarifas. O governo recorreu, levando o caso até a Suprema Corte.
Em reunião com governadores estaduais, Trump classificou a decisão como “uma vergonha” e afirmou já ter um “plano B” para manter as taxas sobre produtos importados, segundo a agência Reuters.
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