Varal de luzes provocou choque que matou mãe e filho em hotel de Maragogi
O Instituto de Criminalística de Maceió informou, nesta sexta-feira, 06, que concluiu e remeteu à delegacia o laudo pericial referente à morte de Luciana Klein Helfstein, 39, e de seu filho, Arthur Klein Helfstein Alves, 11, ocorridas em Maragogi. O exame da Polícia Científica identificou a instalação elétrica que provocou a eletroplessão (choque elétrico) de mãe e filho na piscina do hotel onde a família estava hospedada.
A hipótese de morte por choque elétrico foi levantada pelo perito criminal José Veras durante os primeiros levantamentos no local do acidente, ocorrido no dia 4 de janeiro. Na ocasião, as vítimas foram encontradas desacordadas na piscina e levadas à UPA da região, onde os óbitos foram constatados.
Dando continuidade à investigação técnica, o perito Veras solicitou o isolamento da área da piscina e as imagens do circuito de segurança. Ele retornou à pousada acompanhado do perito criminal Diozênio Monteiro, especialista em engenharia elétrica, para exames complementares na estrutura.
Os especialistas explicaram que, diante dos elementos materiais coletados, constatou-se a presença de uma instalação de iluminação decorativa, comumente denominada "varal de luzes", disposta no perímetro adjacente à piscina. A instalação infringia diversas prescrições da norma ABNT NBR 5410 (2004).
“Verificamos que o conector tipo plugue macho, situado no flanco direito do conjunto, encontrava-se em contato direto com a estrutura metálica do guarda-corpo, promovendo a energização acidental de toda a referida estrutura. Medições técnicas realizadas no local confirmaram um potencial elétrico de aproximadamente 220 V (duzentos e vinte Volts) na superfície metálica”, explicou o perito Diozênio.
O perito esclareceu ainda que, por se tratar de uma área molhada com a presença de um reservatório de água (piscina), o local é classificado como de alta criticidade. A exposição de partes vivas energizadas em um ambiente de baixa resistência elétrica corporal (corpos molhados ou descalços) configura uma condição de perigo iminente, capaz de causar choques fatais em qualquer pessoa que interagisse com a estrutura metálica ou com a água.
“Os frequentadores da área encontravam-se em uma condição insegura crítica. Na qualidade de pessoas inadvertidas, os usuários desconheciam o perigo oculto na estrutura metálica, configurando um cenário de risco derivado diretamente da negligência, imprudência ou imperícia dos responsáveis. A ausência de medidas de controle e a inobservância das normas técnicas transformaram a área em um ambiente de perigo”, diz o laudo.
Após a análise do ambiente e das imagens das câmeras de segurança do local, o perito criminal José Veras também conseguiu definir a dinâmica do caso. “Mãe e filho entraram na piscina. O menor se apoiou na estrutura metálica do guarda-corpo e recebeu a primeira descarga elétrica. Em seguida, a mãe percebeu algo estranho ao ver o filho inerte. Ela então se aproximou e tocou na mesma estrutura metálica, sendo também eletrocutada. Após alguns segundos, os dois afundaram na piscina”, descreveu o perito.
O Instituto de Medicina Legal (IML) Estácio de Lima, em Maceió, já havia confirmado, em 6 de janeiro, que a causa das mortes foram eletroplessão. Os exames cadavéricos em Luciana e Arthur Klein identificaram sinais claros da passagem de corrente elétrica pelos corpos, descartando a hipótese inicial de afogamento, e corroborando com a tese inicial do perito José Veras.
Os laudos, com o conjunto de provas técnicas do IML e do Instituto de Criminalística foram encaminhados à Polícia Civil.
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