Irmã do prefeito de SP é presa após ser identificada pelo Smart Sampa
A irmã do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi presa nesta quinta-feira (15) após ser identificada por câmeras de monitoramento do sistema Smart Sampa, programa que se tornou a principal bandeira da gestão do emedebista. Segundo a Polícia Militar de São Paulo, Janaina Reis Miron era alvo de dois mandados de prisão por desacato, embriaguez e lesão corporal.
A captura ocorreu após o sistema de reconhecimento facial da prefeitura, o Smart Sampa, emitir um alerta indicando a presença de uma pessoa procurada pela Justiça nas dependências de uma unidade de saúde no bairro do Socorro.
A abordagem foi realizada por policiais militares do 1º Batalhão na Unidade Básica de Saúde (UBS) Veleiros, na Avenida Clara Mantelli, por volta das 15h20. Após a confirmação da identidade e da vigência das ordens judiciais, a irmã do prefeito foi encaminhada ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro, onde a ocorrência foi registrada para os trâmites legais.
O mandado de prisão pela embriaguez ao volante e desacato é relacionado a um caso que ocorreu na madrugada do dia 20 de outubro de 2022, na rodovia Professor João Hipólito Martins, em Botucatu, interior paulista.
Segundo relataram os policiais militares que atenderam a ocorrência, Janaína foi flagrada ziguezagueando na rodovia enquanto dirigia um carro Hyundai IX35. A mulher teria mostrado sinais de embriaguez, não portava documentos e estava com o documento do veículo e com a habilitação vencida.
Quando foi informada que seria levada para um distrito policial, Janaína teria agredido os PMs "com palavrões" e ameaçado soltar dois cachorros pitbull contra os agentes. Supostamente ameaçou os policiais, afirmando que o marido é "capitão da polícia militar" e teria ainda corrido para a rodovia "causando risco à própria vida, tendo que ser contida".
Janaína, por sua vez, alegou que não estava embriagada, mas sob efeito de medicação. Ela também afirmou que teria aconselhado os policiais a não se aproximarem dos pitbulls e negou que estivesse "fora de si". Pelo caso, ela foi condenada, em julho de 2025, a 1 ano e três meses de prisão em regime aberto.
O segundo mandado de prisão, o de lesão corporal, é referente a um caso de novembro de 2014. Ela foi acusada de agredir o próprio filho, de 11 anos de idade, com mordidas no braço, puxões de cabelo e arremesso de objetos. Segundo a sentença da Justiça, Janaina teria agredido o filho "sem razão aparente" após a criança voltar da escola.
O menino teve lesões corporais de natureza leve, se trancou no banheiro e acionou o pai por telefone, que foi ao local acompanhado da polícia. "Segundo o apurado, a ré fazia uso abusivo de bebidas alcoólicas e costumava agredir seus filhos", diz a sentença. Ela foi condenada a oito meses de prisão no regime aberto em abril de 2024.
Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que "a prisão está amparada em mandados judiciais, obedeceu ao rigor da lei e foi executada seguindo os critérios de identificação do Smart Sampa".
O episódio carrega um simbolismo político para a administração municipal, já que a detenção da irmã de Nunes foi viabilizada justamente pela tecnologia que se tornou a principal vitrine da gestão na área de segurança pública.
O Smart Sampa, implementado em 2023, opera por meio de uma rede integrada de milhares de câmeras inteligentes espalhadas pela cidade, projetadas para cruzar dados biométricos em tempo real com as bases de dados das polícias.
Os equipamentos fazem reconhecimento facial e leitura de placas de veículos, além de integrar informações georreferenciadas de viaturas, motos e agentes da Guarda Civil Metropolitana. O sistema também é usado por outras instituições, como as polícias Civil e Militar, a CET, a SPTrans e a Defesa Civil. Atualmente, o programa conta com mais de 40 mil câmeras espalhadas pela cidade — incluindo equipamentos do setor privado. Segundo a prefeitura, a meta é alcançar 200 mil câmeras até 2028.
A plataforma, apresentada pelo Executivo municipal como uma ferramenta estratégica para combater a criminalidade e localizar foragidos, acabou, neste caso, voltando-se contra um familiar direto do próprio gestor que a implementou.
O GLOBO procurou a defesa de Janaina Reis Miron, mas não obteve um posicionamento até a última atualização desta reportagem.
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