Banco Master: Toffoli determina que bens e materiais apreendidos sejam armazenados no STF
Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (14) segunda fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que os bens e materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero sejam lacrados e armazenados na sede da Corte, em Brasília. A corporação cumpriu nesta quarta-feira (14) 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados. Por decreto do magistrado, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente. O empresário e investidor Nelson Tanure também foi alvo da ação.
Procurado pela Jovem Pan, o gabinete do ministro explicou, por meio de nota, que o “acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes”. Segundo a PF, foram apreendidos carros e relógios de luxo, aparelhos eletrônicos, armamentos, cartões e dinheiro em espécie. Os bens e valores superam R$ 5,7 bilhões. A corporação também informou que o STF ordenou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias ligadas a investigados para “interromper a movimentação de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação aos cofres públicos”.
Ainda no despacho, Toffoli determinou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodriges, preste esclarecimentos ao STF, em até 24 horas, sobre o “descumprimento” do prazo para realizar a segunda fase da operação. O ministro disse que a ação deveria ter sido feita até terça-feira (13) “diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.
“Causa [estranheza] a esse relator não só o descumprimento do prazo estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que [é evidente] que os envolvidos podem descaracterizar provas essenciais ao [andamento] da [investigação], como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a PF teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, declarou o ministro.
À Jovem Pan, a PF informou “a resposta foi apresentada nos autos do processo”. A ação está sob sigilo no STF por decisão de Toffoli.
Batizada de Operação Compliance Zero, a ação da PF apura crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A primeira fase focou em combater a emissão de títulos de créditos falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. Na ocasião, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava deixar o país.
De acordo com a PF, as investigações começaram em 2024, depois que o Ministério Público Federal (MPF) solicitou a investigação de suposta fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar uma grave crise de liquidez e indícios de irregularidades.
A decisão, considerada extrema, transformou o episódio em um dos casos mais complexos e mais debatidos do sistema financeiro brasileiro, envolvendo investigações da PF, embates institucionais entre órgãos, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o STF, além da expectativa de mais de 1,6 milhão de clientes que aguardam o ressarcimento de seus investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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