Progressão Parcial no ensino do Colégio Militar tem reação negativa na comunidade escolar de Alagoas
A implementação do sistema de Progressão Parcial (PP) nas unidades do Colégio da Polícia Militar Tiradentes, em Alagoas, provocou uma reação negativa por parte da comunidade escolar. O Já É Notícia visitou a unidade Agreste do colégio, localizada em Arapiraca, na última sexta-feira, 1º, para ouvir a opinião de alguns pais.
A decisão da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) de permitir que alunos reprovados em até seis disciplinas sejam aprovados e avancem de série gerou fortes críticas. Na prática, a medida significa que o estudante poderá passar de ano mesmo sem dominar conteúdos essenciais, como Matemática, Português, História ou Geografia — o que, segundo pais e educadores, compromete seriamente o aprendizado e a formação desses jovens.
Alexandre, pai de uma aluna do colégio em Arapiraca, demonstrou surpresa e indignação ao ser informado da mudança. “Na minha época, se o aluno era reprovado em uma matéria, repetia o ano. Ainda mais nas disciplinas de peso. Como alguém vai passar de ano sem ter aprendido? Isso não é justo”, declarou.
Mesmo com a previsão de que os alunos em Progressão Parcial sejam acompanhados no ano seguinte pelos mesmos professores, a medida foi vista como um aumento de carga para os docentes e um retrocesso na qualidade do ensino.
A resistência à Progressão Parcial se consolidou com o lançamento de uma petição pública, já encaminhada ao Ministério Público de Alagoas, à Seduc e ao Comando da Polícia Militar. O documento intitulado “Não à Progressão Parcial no Colégio Tiradentes – Pela Manutenção da Excelência Educacional” sustenta que a medida fere os pilares da excelência educacional da instituição e representa um risco à meritocracia, disciplina e ao alto desempenho dos alunos.
Nas redes sociais e nos plenários legislativos, deputados estaduais e vereadores também se posicionaram contrariamente à decisão da Secretaria de Educação.
Em nota oficial à imprensa, a Secretaria de Estado da Educação defendeu a legalidade da Progressão Parcial, embasando a decisão na Portaria nº 15.022/2021 e nas diretrizes do Conselho Estadual de Educação. A Seduc sustenta que a medida visa garantir o direito à educação, sem prejuízo à qualidade de ensino, mesmo em instituições com gestão compartilhada com a Polícia Militar.
Entretanto, pais e professores argumentam que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) garante autonomia às escolas para definir seus métodos de avaliação, e que a comunidade escolar do Colégio Tiradentes é amplamente contra a mudança.
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