Cratera na Ladeira do Catolé ameaça engolir rodovia entre Maceió e Satuba e parte de bairro da capital alagoana
Uma enorme cratera avança de forma acelerada no bairro do Clima Bom, em Maceió, e já ameaça engolir parte da BR-316, rodovia fundamental que liga a capital alagoana aos municípios de Satuba e Pilar.
A erosão conhecida como voçoroca — termo de origem tupi que significa “terra rasgada”, já ocupa quase 5 mil metros quadrados e tornou-se uma ameaça direta para centenas de moradores da região e para a infraestrutura viária do estado.
A situação se agravou nas últimas semanas com as fortes chuvas que atingiram a capital. A cratera, que em 2002 media apenas 161 m², saltou para 4.987 m² em 2024, segundo levantamento da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), coordenado pelo doutor em Geociência Bruno Ferreira. O especialista explicou, para uma reportagem do impresso Gazeta de Alagoas, que o crescimento da erosão está ligado à impermeabilização do solo, desmatamento e obras mal planejadas que alteraram o escoamento das águas da chuva. Além disso, incêndios frequentes à beira da estrada agravam o problema, destruindo a vegetação que protege as encostas.
A BR-316, principal ligação entre Maceió e o interior, já teve o tráfego de veículos pesados interditado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Caminhões e ônibus precisam utilizar desvios longos pelas rodovias AL-404, em Rio Largo, ou BR-424, via Marechal Deodoro, o que impacta diretamente a economia e a mobilidade da região metropolitana.
Estudos apontam que a BR-316 foi construída sobre uma encosta instável e com galerias de escoamento inadequadas. O solo da região é altamente poroso e, durante longos períodos de chuva, torna-se plástico e instável, abrindo fissuras e ondulações que comprometem a segurança da via.
O Dnit reconhece o avanço da voçoroca e relaciona sua origem ao lançamento irregular de esgoto e águas pluviais vindas de bairros próximos. Já a Defesa Civil de Maceió afirma estar finalizando um relatório técnico e que as medidas de intervenção ainda estão em fase de planejamento.
Especialistas alertam que, sem ações urgentes — como drenagem adequada, obras de contenção, reflorestamento e, em casos extremos, realocação de imóveis e vias — a cratera da Ladeira do Catolé pode provocar danos irreversíveis à infraestrutura de Maceió e colocar vidas em risco.
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