Após surto de virose, prefeito de Guarujá (SP) bebe água do mar para provar que praias estão limpas
Em uma tentativa inusitada de demonstrar que as praias de Guarujá, no litoral de São Paulo, estão próprias para banho, o prefeito Farid Madri (Podemos) gravou um vídeo no último domingo, 12, bebendo água do mar. A cena aconteceu na Praia de Pitangueiras e foi compartilhada nas redes sociais com o apelo do prefeito: “Venham para cá, não percam a oportunidade”.
No vídeo, Madri reforçou sua mensagem antes de entrar na água: “Aquelas pessoas que gostam de Guarujá podem vir para cá, nossas águas estão limpas”. O gesto ocorre em meio a preocupações com a qualidade das praias da cidade, especialmente após o aumento de casos de virose na região no final de ano.
Segundo o boletim semanal da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), responsável pela classificação da balneabilidade das praias, duas das 12 praias de Guarujá – Perequê e Enseada – estão impróprias para banho. Um novo boletim será divulgado nesta quinta-feira, 16.
Contaminação e impacto no turismo
A Prefeitura de Guarujá já havia apontado o possível escoamento de esgoto clandestino no mar como a origem do aumento expressivo de casos de virose. A administração municipal notificou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) sobre o problema.
O impacto foi sentido diretamente no turismo: de acordo com a Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp), o aumento dos casos de virose, aliado a episódios de arrastões na Baixada Santista, resultou no cancelamento de 19% das reservas de hospedagem na região.
Água potável não é fonte do surto
Uma investigação conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) descartou a presença de norovírus ou outros agentes contaminantes na água potável da região. As análises, realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz com amostras coletadas em Guarujá e Praia Grande, confirmaram que a água potável está livre de contaminação.
Por outro lado, amostras de fezes humanas analisadas na última semana detectaram a presença do norovírus, identificado como causador do surto de gastroenterite que resultou em um aumento significativo de atendimentos médicos no litoral paulista. Os sintomas relatados – vômitos, náuseas, cólicas e diarreia – continuam sendo alvo de investigação, e a origem do vírus ainda não foi determinada.
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