Quem ama, acolhe e aceita! Conheça a história de mães que lutam contra a LGBTfobia com seus filhos
“E a gente vai à luta e conhece a dor, consideramos justa toda forma de amor”.
Já dizia Lulu Santos que toda forma de amor é justa para ser acolhida. E é assim que começamos a falar de histórias que inspiram, que mostram aceitação e a luta de mães que enfrentam os desafios da LGBTfobia contra os seus filhos, as "MÃES DA RESISTÊNCIA”.
Ser mãe é ocupar o campo de batalha. É sobre dar para ser o modo de vida, amor e cuidado de alguém. Às vezes é preciso reclamar do desmantelamento da ideia da “mulher guerreira”, pois tem dias que batalhar não é uma alternativa, mas sim a única chance de sobrevivência.
“Ser mãe da resistência é enxergar o mundo plural, diverso, complexo e rico de nossos filhes. Nós acabamos sendo mães de muitos outros filhes. Alguns nos adotam como mães, pois os pais biológicos os abandonam pelo simples fato deles serem LGBTQIAPN+. Uma triste realidade que muitas pessoas LGTBS ainda enfrentam em pleno século 21”, declarou Cida Feitosa, uma das idealizadoras do coletivo.
Mãe solo de dois filhos, Ernesto de 23 anos e Enzo de 8 anos, Cida também divide seu tempo sendo professora, intérprete, empreendedora digital, autora, ativista dos Direitos Humanos e outras tantas funções atribuídas. Ao Portal Já é Notícia, ela conta sua experiência e desafios enfrentados ao longo dos anos.
“No nosso caso, a descoberta e aceitação foi a mais harmônica e respeitosa possível. E isso só reforça a importância de que conhecimento e informação são capazes de desmistificar mitos e nos fazem repensar preconceitos repassados de geração em geração quem fazem de nós quem somos hoje. Estar aberto as novas descobertas e compreender o novo nos possibilita sermos seres humanos melhores consequentemente melhores pais para nossos filhes”, disse Cida.
Para qualquer indivíduo e para as pessoas LGBTQIAPN+, a família quando constituída como rede de apoio, possibilita a construção de vínculos que promovem bem-estar, saúde e qualidade de vida. Este é um mecanismo que pode aumentar a autoestima e proporcionar uma sensação de proteção ou abrigo da fobia LGBTI no caso de uma comunidade.
“Esse processo foi e continua sendo uma construção diária e desafiadora. Descobri com a maternidade o que realmente era amor incondicional, um amor que só cresce e no enche de coragem para seguir na luta. Ser mãe solo de Enzo, de 8 anos, é ainda muito mais desafiador pois além dos cuidados maternos, tenho que dar educação, alimentação, valores éticos e morais sem ajuda de ninguém. Não me considero “pae” e nem heroína como muitos falam, mas sim uma mãe sobrecarregada, vítima de uma sociedade patriarcal e machista que reforçam papeis e desiguais em relação a criação de um filho”, completou a intérprete.
“Quero dizer que antes de sermos mães somos mulheres. Que possamos nos apoiar umas nas outras sem culpar a forma como cada uma, em suas particularidades, escolheram ser a melhor para a educação de suas filhas, filhos e filhes. Que nós, mães, possamos acolher nossos filhes sejam eles como forem, aceitando suas essências, lutando e os encorajando contra o qualquer forma de discriminação e preconceito. Faço um apelo para os homens que assumam suas responsabilidades como pai e não genitores. O papel do pai na educação de seus filho não é de ajudante mas sim de compartilhamento de todas as responsabilidades: da fralda as reuniões de escola. Por fim, imploro as mães de pessoas LGBTQIAPN + que elas procurem informação, apoio de outras mães e jamais abandonem seus filhos que um dia carregaram em seu ventre ou em seus colos, cuidaram, alimentaram e viram os primeiros passos. Pergunte a si mesmo primeiro se aquela criança que hoje, pelo simples fato de não ser o que você idealizou, pode ser largado sozinho num mundo tão covarde e cruel? Não arredaremos os pés e nem soltaremos as mãos de ninguém enquanto não houver respeito e continuarem a matar LGBTs porque se fere a existência de nossos filhes seremos resistência”, concluiu a mãe de Ernesto e Enzo.

O “Mães da Resistência”
O Mães da Resistência é um grupo de mães, pais e familiares de pessoas LGBTQIAPN+ que lutam pelos direitos de sues filhes por e com elus. O objetivo é espalhar amor, respeito e dignidade dando oportunidade para mães e pais de LGBTQIAPN + gritarem para o mundo o orgulho que temos de nossas filhas, filhos e filhes.
“O coletivo surgiu quando um grupo de mães tiveram filhas, filhos e filhes LGBTQIAPN + saindo do armário, especialmente durante a pandemia. Essas mães se apoiaram umas nas outras procurando entender como era. Então, nos reuníamos compartilhando dores, amores, gratidão e afeto por eles e umas pelas as outras. Foi ai que percebemos que o mundo precisava de amor, o amor de mãe nessa luta contra a LGBTfobia. Resolvemos entrar uma um grupo nacional de mães de LGBTQIAPN+ que já está existia, aos poucos mais mães foram chegando. Porém lá nos sentíamos tão distante, pois todas as ações eram centradas no eixo Rio e São Paulo. Então um grupo de mães do nordeste que estavam meio descontentes querendo fazer mais ações locais para ajudar a comunidade LGBTQIAPN +, se juntaram às maes de alguns outros estados de todo Brasil decidiram sair do antigo grupo e fundar o mães da resistência. Eu, Cida Feitosa, fui uma delas aqui em Alagoas pois já era vice coordenadora de Alagoas do antigo grupo e convoquei as demais mães daqui a migrarem pro mães da resistência. Foram semanas pensando como se organizar, planejando redes sociais, estatuto etc. A ONG foi idealizada por mim, Cristina Aguiar, Márcia Soeiro, Monaliza Nabor, Silvania Rodrigues, Mônica, Melyssa, Gi Carvalho, Gioconda Aguiar e Cinthia Fonseca e muito mais mães resistentes como nós que, juntas, construímos a ONG que existe hoje”, contou Cida.
Quem quiser aderir ou conhecer o coletivo, pode entrar em contato com o @maesdaresistencia ou com a Cida, através do @cidagfeitosa.
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