Mulher chama funcionária de restaurante de 'macaquinha' e é presa no Rio de Janeiro
Um restaurante em Botafogo, na Zona Sul do Rio, foi palco de injúria racial na noite do último domingo (18). A situação, que foi filmada por colaboradores, gerou revolta no local e terminou com a prisão em flagrante da autora das ofensas.
O caso aconteceu por volta das 23h30, no estabelecimento Mãe Joana, que fica na rua Rodrigo Brito. Segundo Lizandra Souza, de 27 anos, que é funcionária do restaurante, ela jantava durante uma pausa no trabalho quando as injúrias começaram.
— Nós (Lizandra e uma colega) estávamos em um balcão que divide o espaço com a cozinha. Ela se aproximou, disse que estava com fome e que era um absurdo estarmos comendo na frente dela — contou.
Ainda de acordo com a vítima, as ofensas, inicialmente, foram proferidas contra sua colega, Daniella, que também comia no momento. A mulher, identificada como Camila Berta, de 32, começou dizendo: “Tinha que ser sapatão”. A atitude homofóbica não foi aceita pelas funcionárias, que questionaram o comportamento da cliente.
— Eu cheguei a oferecer minha comida japonesa, já que ela aguardava a dela sair e tava reclamando de fome. Ela pegou, cheirou, disse ‘não sei se gosto disso’ e colocou de volta — explicou Lizandra. — Nesse momento, uma outra funcionária chegou ali e apontou que ela (Camila) tinha colocado a mão na minha comida e que não ia comer. Foi aí que ela disse ‘a macaquinha me deu’. Nunca tinha sofrido algo assim. Me senti muito mal, não acreditava que aquilo estava acontecendo. Eu espero que ela pague — completou.
Logo após a injúria racial, imagens de Camila atacando outras pessoas foram feitas. No vídeo, é possível observar que um coro de 'racista' é feito por alguns dos que presenciaram a cena. A cliente, no entanto, rebate: — A minha mãe é preta, sua filha da p*. Vem na porrada, sua filha da p* — diz para a terceira funcionária que se envolve na discussão.
Os funcionários do restaurante apontam que Camila já chegou no estabelecimento alterada. A mulher, que é residente de Foz do Iguaçu, no Paraná, estava junto de um amigo, que tentou contê-la. No local, conforme indicam os relatos, ela também teria levado um tombo e arrancado placas que ficavam penduradas nas paredes.
— Já estávamos de olho por conta do que ela estava fazendo. O restaurante estava cheio, já que fazemos uma roda de samba aos domingos. Aqui é um ambiente bem diverso, então todos que presenciaram ficaram bem assustados, todos se alteraram com a situação. Foi uma revolta tanto dos funcionários, quanto dos clientes. Ela não era frequentadora da casa — contou um chefe de cozinha, que trabalha no Mãe Joana há 4 anos.
Após a ocorrência, policiais foram chamados no local e Camila foi levada para a 12ª DP (Copacabana), onde foi lavrado o auto de prisão em flagrante, conforme artigo 140 do Código Penal. Ela, no entanto, pagou uma fiança de R$ 2 mil e foi liberada. O fato foi registrado na 10ª DP (Botafogo). A vítima e a autora foram ouvidas na delegacia e o caso foi encaminhado à Justiça.
Com o ocorrido, o estabelecimento, que já na entrada indica ser um local livre de preconceito, afirmou que tomou todas as medidas legais cabíveis em prol dos valores de solidariedade e inclusão. "Esperamos que atitudes racistas e homofóbicas sejam sempre punidas com a devida seriedade, conforme dispõe a lei", diz trecho da nota.
Procurada pelo EXTRA, a mulher disse que foi orientada pelo advogado a não falar sobre as acusações.
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