"Hoje a Justiça, efetivamente, foi feita", diz tia sobre condenação de motorista que matou sobrinha, em Maceió

Por redação com Gazetaweb 26/04/2022 20h08
Por redação com Gazetaweb 26/04/2022 20h08
'Hoje a Justiça, efetivamente, foi feita', diz tia sobre condenação de motorista que matou sobrinha, em Maceió
Réu, que respondia ao processo em liberdade, saiu preso do fórum - Foto: TV Gazeta de Alagoas

O homem acusado de atropelar e matar a estudante, Bruna Carla da Silva Cavalcante, foi condenado a 24 anos e seis meses de reclusão em regime, inicialmente fechado, 11 anos depois do atropelamento, que ocorreu na Avenida Jatiúca, em Maceió. À época, Bruna tinha 19 anos de idade. A condenação ocorreu durante Júri Popular, realizado no Fórum do Barro Duro, na capital. Para a tia da vítima, Maria Gesilda, "a Justiça foi, efetivamente, feita", nesta terça-feira (26).

"Traz um conforto para a família e a sensação de dever cumprido, enquanto cidadã também, porque depois dessa caminhada, hoje, efetivamente, a Justiça foi feita, de uma forma muito linda, muito transparente", afirma Maria Gesilda à TV Pajuçara, após o término do júri, que resultou na condenação de José Leão da Silva Júnior .

O pai de Bruna, Carlos Cavalcante, também se pronunciou sobre o caso e considerou que o que houve com a filha foi "assassinato".

"Um apelo que a família faz: a gente vê todos os dias acidente de trânsito, que tira pessoas do convívio da família por culpa do álcool.Se você vai beber, tenha pelo menos a dignidade, o respeito com a vida dos outros. Se você não tem respeito com a sua própria vida e com a vida dos seus familiares, pelo menos respeitem a vida dos outros. Tenham empatia com a vida dos outros. Isso o que aconteceu foi um assassinato", lamenta em desabafo, o pai de Bruna Carla da Silva.

"Não é comum na vara do júri termos julgamentos de crime de trânsito, mas estávamos diante de uma situação excepcional, com peculiaridades, após a vítima ter sido arrastada, após o primeiro impacto. A partir dessa situação e de outras informações, o MPE verificou que estávamos diante de um fato praticado com dolo, de modalidade eventual", diz o promotor de Justiça, Paulo Zacarias.

O advogado de defesa não concordou com a acusação. O réu, que respondia ao processo em liberdade, saiu preso do fórum.

"Só tem uma testemunha dizendo que o semáforo estava aberto e não tem nenhuma testemunha dizendo que o sinal estava fechado, então, foi de encontro ao que está no autos", diz o advogado de defesa, Altair Costa.

O pai de Bruna diz ainda que a família "ficou destroçada" e que "nunca mais foi a mesma".

Entenda o caso


De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP/AL), a vítima Bruna Carla da Silva Cavalcante atravessava a avenida Júlio Marques Luz, por volta das 18h30, quando o réu ultrapassou o sinal vermelho em alta velocidade e a atingiu. Após o atropelamento, o motorista teria desligado os faróis, passado o carro por cima do corpo de Bruna e fugido do local. A vítima tinha 19 anos na época.

Posteriormente, em depoimento, José Leão afirmou que, no momento do acidente, pensou que tivesse passado por cima de uma caixa. Ele negou ter bebido e disse que o local do acidente estava escuro.

O réu foi pronunciado em fevereiro de 2014 e será julgado por homicídio duplamente qualificado (meio de que possa resultar perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima). A defesa interpôs recursos no Tribunal de Justiça de Alagoas, mas foram denegados. A sessão do júri será conduzida pelo juiz Ewerton Carminati.