Escritor dos EUA tem superanticorpos contra o Coronavírus

Por Redação com BBC Brasil 18/03/2021 10h10 - Atualizado em 18/03/2021 10h10
Por Redação com BBC Brasil 18/03/2021 10h10 Atualizado em 18/03/2021 10h10
Escritor dos EUA tem superanticorpos  contra o Coronavírus
Escritor imune ao coronavírus - Foto: BBC Brasil

O escritor americano, John Hollis, de 54 anos, descobriu que possui superanticorpos de combate ao coronavírus. A descoberta foi feita por cientistas, após ele ter convivência direta com uma pessoa infectada e não apresentar nenhum sintoma da doença.

Segundo John Hollis, ele achou que contrairia o vírus quando um amigo com quem ele dividia a casa se contaminou e ficou gravemente doente, em abril de 2020. "Foram duas semanas muito assustadoras. Eu esperei a doença me atingir, mas nunca aconteceu."

Ao perceber que não havia se contaminado, Hollis acreditou que havia tirado a sorte grande, mas em junho de 2020 ele mencionou que morava com uma pessoa que ficou muito doente em uma conversa com o médico Lance Liotta, professor na Universidade George Mason, onde Hollis trabalha na área de comunicação.

Liotta, que pesquisa formas de combater o coronavírus, convidou Hollis para se voluntariar em um estudo científico sobre coronavírus na universidade.

Com isso Hollis descobriu que não só tinha contraído o covid-19, como seu corpo tinha superanticorpos que o tornavam imune à doença — ou seja, os vírus entraram em seu corpo, mas não conseguiram infectar suas células e deixá-lo doente. "Essa tem sido uma das experiências mais surreais da minha vida", conta Hollis.

"Nós coletamos o sangue de Hollis em diferentes momentos e agora é uma mina de ouro para estudarmos diferentes formas de atacar o vírus", afirma Liotta.

Na maioria das pessoas, os anticorpos que se desenvolvem para combater o vírus atacam as proteínas das espículas do coronavírus — formações na superfície do Sars-Cov-2 em formato de espinhos que o ajudam a infectar as células humanas.

"Os anticorpos do paciente grudam nas espículas e o vírus não consegue grudar nas células e infectá-las", explica Liotta. O problema é que, em uma pessoa que entra em contato com o vírus pela primeira vez, demora certo tempo até que o corpo consiga produzir esses anticorpos específicos, o que permite que o vírus se espalhe.

Mas os anticorpos de Hollis são diferentes: eles atacam diversas partes do vírus e o eliminam rapidamente. Eles são tão potentes que Hollis é imune inclusive às novas variantes do coronavírus.

"Você poderia diluir os anticorpos dele em 1 para mil e eles ainda matariam 99% dos vírus", explica Liotta.

Os pesquisadores estudam esses superanticorpos de Hollis e de alguns outros poucos pacientes como ele na esperança de aprender como melhorar as vacinas contra a doença.

"Eu sei que não sou a única pessoa que tem anticorpos assim, sou apenas uma das poucas pessoas que foram encontradas", afirma Hollis.