Realização de transplantes caiu 58% em Alagoas no ano passado, diz Sesau

Por Assessoria 11/02/2021 15h03
Por Assessoria 11/02/2021 15h03
Realização de transplantes caiu 58% em Alagoas no ano passado, diz Sesau
Transplante - Foto: Reprodução

O número de transplantes realizados em Alagoas reduziu 58% em 2020, na comparação com 2019. Dados da Central de Transplantes de Alagoas mostram que foram 34 procedimentos no ano passado, ante 81 em 2019.

Todos os transplantes realizados em Alagoas no ano passado foram de córnea. Já em 2019 foram 69 de córnea, 5 de coração e 7 de rim. A coordenadora da Central, Daniela Ramos, explica que “a doação de órgãos é um ato de amor ao próximo que surge em um momento de dor diante da perda de um ente querido”.

Atualmente, 292 pessoas estão na fila em Alagoas à espera por córneas, outras 143 aguardam um rim e outras duas precisam de um novo coração. Recentemente, a família de uma paciente do sexo feminino, de 51 anos, autorizou a doação dos órgãos dela.

De acordo com Daniela Ramos, essa foi a primeira captação de órgãos feita em 2021 pela equipe da Central. “Os rins e o fígado foram encaminhados para os estados de São Paulo e do Ceará, respectivamente, e as córneas ficaram aqui mesmo em Alagoas onde já foram transplantadas. Esse foi o primeiro doador de muitos que irão aparecer durante esse ano de 2021”, exaltou a coordenadora.

Daniela Ramos contou que o maior impacto nessa redução foi causado pela pandemia da Covid-19, ocasião em que o Ministério da Saúde (MS) proibiu a realização de procedimentos cirúrgicos como os transplantes. “Quando o MS liberou a realização dos transplantes, as exigências se tornaram maiores durante a pandemia, para que fosse garantida a segurança dos pacientes que estão aguardando um órgão e das equipes de saúde que estão lidando diretamente com a situação”, explicou.

Segundo ela, além de todas as dificuldades enfrentadas por causa da pandemia, outra barreira encontrada pelas equipes da Central de Transplantes é o preconceito e o tabu que ainda persistem em meio à doação de órgãos.

“Nossas equipes são formadas por médicos, enfermeiros e psicólogos, e estão capacitadas para fazer o trabalho de sensibilização e acolhimento com a família do doador. Mesmo assim, ainda existe esse preconceito em função da falta de conhecimento da população sobre o processo da doação de órgão”, destaca a coordenadora.



“As pessoas ainda não compreendem o diagnóstico de morte encefálica e confundem com situações em que o paciente está em coma, e os órgãos serem retirados com o ente querido ainda vivo, mas essa possibilidade é zero pelo rígido protocolo que é seguido para a confirmação da morte encefálica. Questões religiosas também dificultam a doação dos órgãos, assim como o fato das pessoas, ainda em vida, não falarem para a família sobre o desejo de ser um doador de órgãos, e é somente os familiares que podem autorizar a doação”, disse Daniella Ramos.





Protocolo de morte encefálica

Para ser um possível doador de órgãos, é preciso que seja diagnosticada a morte encefálica desse paciente, que ficará mantido em ventilação mecânica e com drogas vaso ativa, para que os órgãos permaneçam viáveis para ser transplantado para outra pessoa.

O protocolo segue a resolução número 2.173/17 do Conselho Federal de Medicina, que consiste em três etapas com dois médicos fazendo exames clínicos para poder testar os reflexos do paciente. Após a confirmação da parte clínica, um terceiro médico irá fazer um exame complementar de imagem, para verificar se existe algum fluxo sanguíneo no cérebro ou atividade elétrica cerebral. Com a confirmação nos três exames, a morte encefálica fica comprovada e a família é informada do diagnóstico.

“Após essa confirmação, as equipes da central de transplante informam a família que tem a opção de prosseguir com a doação de órgãos ou então pegar o corpo e dar seguimento ao funeral”, explicou a coordenadora.