Aos 94, morre escritor e roteirista Rubem Fonseca

Por Agências 15/04/2020 22h10 - Atualizado em 16/04/2020 01h01
Por Agências 15/04/2020 22h10 Atualizado em 16/04/2020 01h01
Aos 94, morre escritor e roteirista Rubem Fonseca
Foto: Reprodução
Um dos maiores escritores do Brasil, autor de clássicos como "Feliz ano novo" e "A cólera do cão", Rubem Fonseca faleceu nesta quarta-feira, 15, vítima de infarto, a poucas semanas de completar 95 anos.

Segundo o jornalista Lauro Jardim, do Globo, Fonseca sofreu um infarto hoje, perto da hora do almoço, em seu apartamento, no Leblon. "Foi levado imediatamente ao hospital Samaritano, onde morreu", disse o jornalista.

Rubem nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, mas foi para o Rio ainda criança. E foi no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte, que ele começou a vida profissional.

Formado em Direito, Rubem Fonseca foi escrivão na delegacia do bairro por cinco anos.

A estreia literária veio com uma coletânea de contos, “Os prisioneiros”, de 1963. Dois anos depois, "A coleira do cão", que deu a Rubem Fonseca o primeiro de seis prêmios Jabuti. E estão nessa lista sucessos, como “Lúcia Mccartney”, de 1969.

Na primeira fase da carreira, Rubem Fonseca desenvolveu uma linguagem direta, rápida, frases curtas, para retratar a realidade, os dramas humanos dos moradores das grandes cidades brasileiras. Em suas páginas há também erotismo e um humor ácido.

“Feliz Ano Novo”, livro de contos, acabou censurado pelo regime militar. Considerado escritor "brutalista" por alguns críticos, os contos tratam de violência e sexo, sem meias palavras.

Aliás, em 2015, ao receber o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, o autor comentou o uso dos chamados palavrões em seus textos: “Mesmo porque, meus amigos, nós escritores não podemos discriminar as palavras. Não tem sentido um escritor dizer: eu não posso usar isso. A não ser que você escreva livros infantis”

A partir dos anos 1980, Rubem Fonseca passou a se dedicar também a escrever romances. “A Grande Arte”, vencedor do prêmio Jabuti, virou filme, dirigido por Walter Salles.

“Bufo e Spallanzani” também foi adaptado para o cinema, dirigido por Flávio Tambellini.

O romance “Agosto”, de 1990, mistura história e ficção. Virou minissérie, na Globo, e retrata os momentos que antecedem a morte de Getúlio Vargas.

Em 2003, o autor ganhou o prêmio Camões, o mais importante troféu literário da língua portuguesa.

Seu último livro de contos inéditos foi lançado há dois anos, "Carne crua".