Caso Bárbara: 'Absolvição de Otávio será impossível', diz defesa em júri

Por Gazetaweb 28/05/2019 11h11 - Atualizado em 28/05/2019 14h02
Por Gazetaweb 28/05/2019 11h11 Atualizado em 28/05/2019 14h02
Caso Bárbara: 'Absolvição de Otávio será impossível', diz defesa em júri
Foto: Larissa Bastos
acusado de matar Bárbara Regina e ocultar o cadáver da estudante está sendo julgado pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (28), no salão da 8ª Vara Criminal da Capital, no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Para a Defesa, a absolvição de Otávio Cardoso da Silva Neto será impossível, restando argumentar redução da pena a ser imposta ao réu.

Em entrevista à Gazetaweb, o defensor público que atua no processo, Arthur Cavalcante, ressaltou que ainda é prematuro adiantar informações, uma vez que o cenário do julgamento vai se desenvolvendo no decorrer do dia.

Segundo o defensor, uma linha de defesa possível é a atenuação da pena a ser imposta. "É uma linha de defesa possível. Existia uma acusação de estupro que foi afastada justamente por falta de provas. Talvez o quadro se repita com relação à acusação por asfixia, mas é também algo que vai ser visto aqui hoje, após a oitiva das testemunhas e do réu, quando definirmos a linha a ser sustentada aqui no plenário", salientou o defensor, adiantando que tal tese é impossível.

ACUSAÇÃO

O promotor do caso, Antônio Villas Boas, disse que a acusação vai sustentar o que sempre pontuou desde a fase instrutória, ou seja, que Otávio foi o assassino de Bárbara Regina. "Temos muitos elementos de convicção para fazer essa afirmativa. Ainda que não tenhamos testemunhas que presenciaram o crime, temos testemunhas que guardam confissões do réu de que ele foi o autor do crime. Temos fortes evidências que, de fato, foi ele o assassino".

Ainda de acordo com a promotoria, a condenação é evidente, não restando outro caminho. E, se assim não acontecer, a decisão final será passível de recurso. "Se assim não o for, apesar de o MP respeitar a decisão, manteremos os remédios jurídicos pertinentes para a propositura de algum recurso", acrescentou Villas Boas.
'ESPERO TRANQUILIDADE'

O presidente do júri, magistrado John Silas, afirmou que aguarda um julgamento tranquilo, apesar de o mesmo chamar a atenção pela repercussão na sociedade. "Este julgamento é daqueles que a gente diz que prende a atenção de todos da sociedade, mas que está dentro dos parâmetros normais para, assim, chegarmos a um final que, somente, os jurados dirão qual será".

Questionado sobre o tempo do júri, John Silas acrescentou que não sabe precisar. "É difícil estimarmos o tempo. Pretendemos, pelo menos, até umas 20h, 21h, terminar esse julgamento hoje".

SENTIMENTO

A reportagem também conversou com a família da estudante, que ainda está desaparecida. A tia de Bárbara, Rosângela Leite, disse que todos esperam justiça. "Queremos que seja feita justiça. Que ele seja condenado, que a verdade apareça, o que não vai acabar nosso sofrimento, já que ele não fala onde colocou o corpo dela. Além da condenação, queremos que ele fale a verdade, o que ele fez. Confio que vai dar tudo certo", destacou.

ENTENDA O CASO

A estudante universitária Bárbara Regina tinha 21 anos ao sair de uma boate no bairro da Pajuçara, no ano de 2012. Segundo a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MP/AL), as imagens da câmera de segurança do local são os últimos registros de Bárbara, que não foi mais vista após deixar o estabelecimento.

Nas imagens, a jovem aparece saindo do local com Otávio. Ainda segundo a acusação, Bárbara teria se recusado a ter relações sexuais com o réu. O corpo da estudante nunca foi encontrado.

Por sua vez, testemunhas informaram que, dias depois do crime, Otávio foi até um lava-jato, com o carro muito sujo de lama e mato.

PRISÃO NO MATO GROSSO

Em 2017, pouco mais de cinco anos do crime, Otávio Cardoso foi preso na cidade de Terra Nova do Norte, no interior do Mato Grosso, após roubar um veículo em outro município da região.

Durante audiência de instrução, em março de 2018, ele alegou que era inocente. Em depoimento, ele confessou que utilizou o celular da vítima após o desaparecimento, conforme indica a investigação do caso, mas alegou que deixou a jovem em um ponto da orla da Ponta Verde, e que não sabia para onde ela iria depois.