Prisão de Policial Civil em Maragogi gera polêmicas entre Estado e sindicato

Por Redação 23/04/2019 10h10 - Atualizado em 23/04/2019 13h01
Por Redação 23/04/2019 10h10 Atualizado em 23/04/2019 13h01
Prisão de Policial Civil em Maragogi gera polêmicas entre Estado e sindicato
Policial civil (de branco) é preso por policiais militares em Maragogi - Foto: Reprodução/Internet
A prisão do policial civil Maurílio por duas equipes da Polícia Militar (PM), após se envolver em confusão em um restaurante no município de Maragogi, Litoral Norte de Alagoas, continua gerando polêmicas e, segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas, está prestes a acontecer uma guerra entre os policiais civis e policiais militares do Estado. O caso aconteceu no dia 19 de abril deste ano.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), Ricardo Nazário da Silva, informou que já acionou o seu departamento jurídico para cuidar do caso e a assessoria do sindicato emitiu uma nota a respeito nesta terça-feira (23). Nossa equipe de reportagem tentou contato com a assessoria de Segurança Pública do Estado, mas ainda não obteve êxito.

Confira a nota do Sindpol:

“Diante de inúmeros relatos negativos das abordagens dos policiais militares e a forma de tratamento, o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas – Sindpol vem a público externar a preocupação de possíveis retaliações entre as instituições policiais, visto que os policiais civis não quiseram fazer a denúncia na Corregedoria da PM devido ao corporativismo.

O presidente do Sindpol já havia se reunido com o Comandante-Geral da Polícia Militar de Alagoas, coronel Marcos Sampaio Lima, em 4 de julho de 2017, informando a preocupação com comportamentos rudes de algumas guarnições da Polícia Militar com os policiais civis, mesmo depois do policial civil se identificar nas ocasiões.

No encontro, o coronel Marcos Sampaio de Lima havia se comprometido a reunir o Estado Maior e emitir para todos os batalhões do Estado de Alagoas a recomendação de que as guarnições ajam com urbanidade quando se depararem com os policiais civis.

Após quase dois anos, a diretoria do Sindpol informa que a reunião com o Comandante-Geral não surtiu efeito, vindo a aumentar a animosidade da categoria com os policiais militares. O presidente do Sindpol, Ricardo Nazário, preocupado com possíveis retaliações entre as instituições, alerta: “Entendemos que os policiais civis são membros da segurança pública e que essa falta de urbanidade e respeito podem trazer sérios problemas para a sociedade. Quando os órgãos da segurança pública não conseguem caminhar juntos, quem sofre é a sociedade”, ressalta o sindicalista.

Ricardo Nazário pontua que o Governo do Estado mente em suas propagandas, que há integração das policiais, mas que, na verdade, isso é marketing político. “Os policiais não estão integrados, e o pior é que estão quase em pé de guerra”, disse, acrescentando que os Centros Integrados de Segurança Pública - CISP são verdadeiras mentiras passadas para a sociedade alagoana.

O presidente do Sindpol esclarece que o Sindicato defende a Constituição brasileira e a democracia, e acredita nas instituições policiais trabalhando e defendendo a sociedade, dentro da legalidade, alinhando as normas e padrões a serem seguidos pelos operadores da segurança pública.

A diretoria do Sindpol informa que enviará ofício ao Conselho de Segurança Pública de Alagoas - Conseg, à Promotoria do Controle Externo, Promotor Magno Alexandre, ao Comandante-Geral da Polícia Militar de Alagoas, coronel Marcos Sampaio Lima, ao secretário de Segurança Pública Lima Júnior, ao Procurador-Geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça, solicitando as autoridades reunião para tratar das abordagens e conduções dos policiais civis e policiais miliares com urgência”

Relembre o caso:

O policial civil Maurílio - o sobrenome não foi revelado - foi preso na tarde desta sexta-feira (19), por duas equipes da Polícia Militar (PM), após se envolver em confusão em um restaurante no município de Maragogi, Litoral Norte de Alagoas.

Segundo testemunhas, o policial teria se irritado depois que um funcionário do estabelecimento pediu para que ele aguardasse o momento do atendimento. Ainda irritado, Maurílio teria puxado a arma - uma pistola ponto 40 - e ameaçado os consumidores presentes no local.

Uma mensagem de voz que circula em aplicativo de mensagem, um policial militar que teria participado da prisão revela os policiais chegaram a conter Maurílio, que depois de ouvir os protestos da população, tentou resistir à prisão. "O PM conversando com ele para ele ir na boa, mas ele se rebelou", diz um trecho da mensagem. Ele foi encaminhado para a Delegacia Regional de Matriz do Camaragibe, onde foi autuado pelo delegado Belmiro Cavalcante por ameaça e posse de arma, já que a arma que ele estava no momento, não tinha registro.