Neste 21 de março, a população negra desabafa: Alagoas é um estado racista
Neste 21 de março, a luta contra a discriminação racial é evidenciada internacionalmente por negros e negras que desejam relembrar à sociedade da opressão sofrida diariamente pelos diversos métodos ao longo dos séculos.
A data, instituída em 1960 pela Organização das Nações Unidas (ONU), representa e eterniza a memória do Massacre de Shaperville, episódio sangrento da história humana onde 69 mortos e 189 feridos sacrificaram-se em um protesto contra o "Apartheid" - regime político de segregação racial existente na África do Sul entre 1960 a 1994.
Hoje, 59 anos após o conhecido massacre, os sistemas segregacionistas ainda encontram-se vigentes e a discriminação é sentida pelos negros e negras do estado de Alagoas.
"A sociedade [alagoana] é extremamente inerte, temos uma desigualdade racial enorme. Somos o estado onde mais se mata jovens pretos. Alagoas é um estado racista! E não há um repúdio contra esse fato!", desabafou Arísia Barros, professora de 59 anos e militante em ações afirmativas há mais ou menos duas décadas.
"Este 21 de março deveria ser um marco, deveríamos estar na rua, mas se você fizer uma leitura pelo Brasil você perceberá a sociedade inerte. Eu me sinto representada por esta data, mas porque nós [o povo negro] vivemos uma luta diária contra um apartheid diário. Quando a violência não permite que o povo preto perdure, isso é um massacre", completou.
Questionada a respeito da mensagem que gostaria de passar à sociedade no Dia Internacional contra a Discriminação Racial, a educadora respondeu: "É importante falarmos sobre um empoderamento coletivo, não adianta eu subir na vida se meu irmão e irmã continuam no mesmo estado. Se o empoderamento não for coletivo, nossa história se repetirá. Quando nós estivermos de mãos dadas, começaremos a caminhar".
Juventude
No cinema, mais oportunidades vêm sendo conquistados por pessoas negras, a exemplo dos filmes blockbusters vencedores do Oscar, como Pantera Negra, dirigido por Ryan Coogler, e o filme Corra!, de Jordan Peele, ambos negros e vencedores de premiações no Oscar, Globo de Ouro e outras premiações da sétima arte.
Entretanto, para a juventude alagoana, táticas de empoderamento transmitidas pela mídia são encaradas como marketing oportunista. Esta é a visão da estudante do curso de Pedagogia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Nicole Maria, 19 anos.
"O marketing vem se apropriando inteligentemente disso [ de uma militância amigável a causas sociais]. Na minha infância havia poucos produtos para cabelos cacheados, hoje, encontro vários", relatou.
De acordo com a jovem, crescer como uma mulher negra na sociedade é uma experiência complicada. "As mulheres demoram a se perceber enquanto negras no Brasil. Por conta de um processo de embranquecimento, nós não nos enxergarmos na TV, na escola, na mídia. Alisamos o cabelo, tentamos afinar nosso nariz, tentamos trazer para nós esses traços".
Na perspectiva do estudante do curso de Geografia, também pela Ufal, Jerlesson Vanderlei, 19, crescer como uma criança negra foi menos difícil por conta do conforto familiar. "Sempre fui uma criança solitária. Quando eu ia para a rua, eu ia com meu irmão. Éramos só eu e ele".
Todavia, hoje em dia, após entrar mais afundo em movimentos sociais que defendem pautas raciais, Jelersson encontrou uma vida menos solitária. "Começamos a perceber as pessoas negras ao nosso redor, estamos nos aproximando. Hoje, tenho mais amigos negros se comparado com amigos brancos".
Perguntado sobre a importância do dia 21 em sua perspectiva, o jovem respondeu: "Todos os dias é um dia a mais para viver, acredito que a minha vida é um ato político. Tenho este dia como um marco, precisamos refletir. O importante que o povo comece a se unificar na coletividade, como nossos ancestrais".
A data, instituída em 1960 pela Organização das Nações Unidas (ONU), representa e eterniza a memória do Massacre de Shaperville, episódio sangrento da história humana onde 69 mortos e 189 feridos sacrificaram-se em um protesto contra o "Apartheid" - regime político de segregação racial existente na África do Sul entre 1960 a 1994.
Hoje, 59 anos após o conhecido massacre, os sistemas segregacionistas ainda encontram-se vigentes e a discriminação é sentida pelos negros e negras do estado de Alagoas.
"A sociedade [alagoana] é extremamente inerte, temos uma desigualdade racial enorme. Somos o estado onde mais se mata jovens pretos. Alagoas é um estado racista! E não há um repúdio contra esse fato!", desabafou Arísia Barros, professora de 59 anos e militante em ações afirmativas há mais ou menos duas décadas.
"Este 21 de março deveria ser um marco, deveríamos estar na rua, mas se você fizer uma leitura pelo Brasil você perceberá a sociedade inerte. Eu me sinto representada por esta data, mas porque nós [o povo negro] vivemos uma luta diária contra um apartheid diário. Quando a violência não permite que o povo preto perdure, isso é um massacre", completou.
Questionada a respeito da mensagem que gostaria de passar à sociedade no Dia Internacional contra a Discriminação Racial, a educadora respondeu: "É importante falarmos sobre um empoderamento coletivo, não adianta eu subir na vida se meu irmão e irmã continuam no mesmo estado. Se o empoderamento não for coletivo, nossa história se repetirá. Quando nós estivermos de mãos dadas, começaremos a caminhar".
Juventude
No cinema, mais oportunidades vêm sendo conquistados por pessoas negras, a exemplo dos filmes blockbusters vencedores do Oscar, como Pantera Negra, dirigido por Ryan Coogler, e o filme Corra!, de Jordan Peele, ambos negros e vencedores de premiações no Oscar, Globo de Ouro e outras premiações da sétima arte.
Entretanto, para a juventude alagoana, táticas de empoderamento transmitidas pela mídia são encaradas como marketing oportunista. Esta é a visão da estudante do curso de Pedagogia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Nicole Maria, 19 anos.
"O marketing vem se apropriando inteligentemente disso [ de uma militância amigável a causas sociais]. Na minha infância havia poucos produtos para cabelos cacheados, hoje, encontro vários", relatou.
De acordo com a jovem, crescer como uma mulher negra na sociedade é uma experiência complicada. "As mulheres demoram a se perceber enquanto negras no Brasil. Por conta de um processo de embranquecimento, nós não nos enxergarmos na TV, na escola, na mídia. Alisamos o cabelo, tentamos afinar nosso nariz, tentamos trazer para nós esses traços".
Na perspectiva do estudante do curso de Geografia, também pela Ufal, Jerlesson Vanderlei, 19, crescer como uma criança negra foi menos difícil por conta do conforto familiar. "Sempre fui uma criança solitária. Quando eu ia para a rua, eu ia com meu irmão. Éramos só eu e ele".
Todavia, hoje em dia, após entrar mais afundo em movimentos sociais que defendem pautas raciais, Jelersson encontrou uma vida menos solitária. "Começamos a perceber as pessoas negras ao nosso redor, estamos nos aproximando. Hoje, tenho mais amigos negros se comparado com amigos brancos".
Perguntado sobre a importância do dia 21 em sua perspectiva, o jovem respondeu: "Todos os dias é um dia a mais para viver, acredito que a minha vida é um ato político. Tenho este dia como um marco, precisamos refletir. O importante que o povo comece a se unificar na coletividade, como nossos ancestrais".
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