Mãe de Roberta Dias cobra prisão de rapaz que confessou o crime em áudio vazado para a imprensa

Por Redação com agências 05/05/2018 15h03 - Atualizado em 06/05/2018 12h12
Por Redação com agências 05/05/2018 15h03 Atualizado em 06/05/2018 12h12
Mãe de Roberta Dias cobra prisão de rapaz que confessou o crime em áudio vazado para a imprensa
Foto: Divulgação
Em entrevista para a TV Gazeta e em áudios divulgados nas redes sociais, Mônica Dias, mãe da jovem grávida Roberta Dias, dada como morta após o desaparecimento em 1012, se diz indignada com a forma que a polícia está cuidando do caso.

A declaração de Mônica Dias ocorreu após o vazamento da transcrição de um áudio em quem um rapaz identificado como Bruno Pereira Tavares afirma ter matado a jovem para “ajudar” o amigo, pai da criança que Roberta estava esperando. Segundo ele, o amigo, identificado como Saulo não queria a criança e temia a reação do pai (avô da criança) quando soubesse da gravidez da jovem.

Bruno conta, com riqueza de detalhes, como foi o planejamento e a execução do crime, mas até o momento não foi expedido contra ele nenhum mandado de prisão. A descoberta do crime gerou indignação na população de Penedo, onde o crime o ocorreu, principalmente na mãe da vítima.

Em áudio divulgado nas redes sociais ela pede justiça e uma explicação para que a justiça ainda não tenha determinado a prisão dos suspeitos. “Que justiça é essa? Como sai um laudo desse, com o cara assumindo que matou a minha filha, dizendo como matou, onde colocou, e a polícia ainda não prendeu? Um cara desse é sequestrador, matador e ocultador de cadáver. Um cara desse tem que ir para a prisão. Não pode rua acima e rua abaixo, mangando da minha cara da minha dor. Quem perdeu minha filha foi eu e ela perdeu a vida dela”, desabafou Mônica.

Ela ainda pede ajuda da população para pressionar as autoridades a prenderem Bruno Pereira Tavares, afirmando que ele é um monstro e não pode ficar perante a sociedade. “Minha filha foi morta por causa de uma gravidez. Esse monstro tirou duas vidas. E ele tem pagar”, desabafa a mãe da jovem.

Apoio da ASPOL aos policiais presos

Em 2013, após o desaparecimento de Roberta Dias, foram presos dois policiais, Gledso Oliveira da Silva e Carlos Bráulio Idalino, suspeitos de serem os autores materiais do assassinato da jovem. Após a repercussão do áudio de Bruno Pereira Tavares, a defesa dos policiais afirma que está evidente que eles foram presos injustamente. Na manhã deste sábado a Associação dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Alagoas (ASPOL/AL) se pronunciou sobre o caso, prestando solidariedade aos policiais.

NOTA DE APOIO E SOLIDARIEDADE DA ASPOL/AL

A Associação dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Alagoas – ASPOL/AL, entidade representativa de seus associados e, por via reflexa, dos demais policiais civis, após provocação de seus associados e em concordância com estapafúrdio criado em desfavor de membros desta Polícia Judiciária, vem a público emitir a presente nota de apoio e solidariedade aos irmãos policiais civis *GLEDSON OLIVEIRA DA SILVA e CARLOS BRÁULIO IDALINO, presos em 2013 injustamente, por terem sido acusados como supostos autores materiais da morte de Roberta Dias, corroborando para uma absurda inversão de valores Éticos e Morais.

As prisões, injustas e descabidas, praticadas durante o curso das investigações do Inquérito Policial, ocorreram em setembro de 2013. O Policial Civil CARLOS BRÁULIO LOPES IDALINO permaneceu preso por um prazo de 30 (trinta) dias e o Policial Civil GLEDSON OLIVEIRA DA SILVA, por quase 05 (cinco) meses.

O maior absurdo praticado em desfavor dos policiais, além da prisão, sobretudo do Policial Civil GLEDSON OLIVEIRA DA SILVA, fora à suspensão do seu salário, por 03 (três) meses, contrariando precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Além de terem sido expostos pela mídia em diversos meios de comunicação, os policiais civis, perante a Instituição, tinham seus nomes citados, causando-lhes constrangimento e indignação por saberem de suas inocências.

O Secretário de Estado da Segurança Pública, à época, Cel. Dário César, chegou a declarar e condenar antecipadamente os policiais civis, utilizando-se apenas do mínimo de provas existentes nos autos do Inquérito Policial que fora instaurado, com escopo de buscar a autoria e a materialidade do delito praticado em desfavor de Roberta Dias. Vejamos:

Foi um crime bastante fútil, matar uma pessoa de 18 anos só porque ela estava grávida. O crime chocou toda a população e eu fico bastante consternado e triste com o envolvimento de policiais no crime. Dói cortar a própria carne prender esses policiais, mas é pelo bem de Alagoas”.

Recentemente, com o vazamento de um áudio de 15 (quinze) minutos de conversa atribuída a K.B.P.T. e J.F.L., e periciado pela Polícia Federal, perceptível que os autores materiais do homicídio cometido contra Roberta Dias não foram idealizados nem tampouco praticado pelos policiais civis GLEDSON OLIVEIRA DA SILVA e CARLOS BRÁULIO LOPES IDALINO. Sem dúvidas haverá reviravolta no curso das investigações que já está estagnada há mais de 06 (seis) anos, demonstrando que as prisões foram sim precipitadas e descabidas, baseadas apenas em declarações de supostas testemunhas.

Como é de conhecimento de todos a prisão temporária possui finalidade específica:

[...] quando a constrição de liberdade dos investigados mostra-se necessária para as atividades investigativas, devidamente lastreada em elementos concretos extraídos do autos. *Não preenchido o requisito o art. 1º, III, da Lei nº 7.960/09, a decisão carece de motivação idônea a sustentar a custódia determinada*.9 (Habeas Corpus Nº 70075038711, Primeira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jayme Weingartner Neto, Julgado em 08/11/2017.

Assim, face do sistema Jurídico Constitucional vigente, as decisões judiciais, máxime as restritivas de liberdade, devem ser proferidas com precisão e clareza sob pena de nulidade.

Ressaltamos que não está sendo questionada a condução do inquérito policial e, ainda, eventual inoperância ou qualidade técnica de quaisquer das Autoridades Policiais responsáveis pelo procedimento investigativo, mas sim da exposição midiática dos policiais civis que, sem a conclusão do Inquérito Policial e, principalmente, ante a ausência de provas concretas materiais, solicitaram, à época, a prisão dos policiais civis GLEDSON OLIVEIRA DA SILVA e CARLOS BRÁULIO LOPES IDALINO, ambos conhecidos na Polícia Judiciária como servidores competentes e atuantes no combate a criminalidade em Alagoas. Indaga-se: O que fazer para reestabelecer o mal vivenciado pelos policiais civis em testilha? E os prejuízos financeiros e psicológicos causados com a prisão?

Por fim, a ASPOL/AL se coloca a disposição dos policiais civis para a adoção das medidas legais cabíveis, independentemente de serem associados, pois a Polícia Civil somos todos nós.

Veja matérias que tratam sobre o Caso Roberta Dias:

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