Polícia Civil diz que vai investigar o conteúdo da gravação sobre o caso Roberta Dias

Por Redação com Gazetaweb.com 04/05/2018 16h04 - Atualizado em 04/05/2018 19h07
Por Redação com Gazetaweb.com 04/05/2018 16h04 Atualizado em 04/05/2018 19h07
Polícia Civil diz que vai investigar o conteúdo da gravação sobre o caso Roberta Dias
A delegada Maria Angelita afirmou que o inquérito nunca foi paralisado e seguem as investigações - Foto: José Feitosa/Gazetaweb

O caso Roberta Dias, que voltou a chamar a atenção da polícia após o vazamento de um áudio que detalha o sumiço da jovem, ocorrido em abril de 2012, virou tema de uma entrevista coletiva realizada no início da tarde desta sexta-feira (04), na Delegacia-Geral de Polícia Civil, em Maceió.

Na oportunidade, o delegado Cícero Lima, titular do inquérito policial, explicou que o crime "foi praticado por profissionais" e garantiu que a polícia vai investigar o conteúdo da gravação.

Ontem, quinta-feira (03), a Polícia Federal informou, por meio de nota, que ofertou ajuda técnica à Polícia Civil de Alagoas, a fim de periciar o aparelho de telefone celular, já apreendido, utilizado pelo suspeito.

No início do diálogo, um homem relata para o ouvinte que cometeu o crime para ajudar o amigo, que seria o pai da criança que Roberta Dias esperava. Este, que temia a reação de seu pai ao descobrir que o mesmo seria avô, confessou o crime em meio à conversa e garantiu que, caso a polícia descobrisse a trama assassina, assumiria tudo sozinho, sem responsabilizar terceiros.

E foi exatamente o conteúdo deste áudio que levou a Polícia Civil a se pronunciar oficialmente nesta sexta. Segundo o delegado Cícero Lima, o inquérito tem duas mil laudas e deve ser concluído dentro de um mês. À imprensa, ele confirmou que já solicitou o áudio com a transcrição do áudio, acrescentando que o vazamento de seu conteúdo será devidamente investigado.

"As novas informações só reforçam aquilo que já vínhamos investigando. Este crime foi bem planejado e praticado por profissionais. É um desafio para a Polícia Judiciária. Inclusive, já fizemos diligências em Feliz Deserto, município da região Sul de Alagoas, mas só achamos ossos de equinos", disse o delegado, destacando, porém, que o conteúdo vazado "não é o bastante" para a elucidação do caso.

Também presente à coletiva, a delegada Maria Angelita afirmou que o inquérito nunca foi paralisado e que a polícia segue trabalhando com base numa "forte linha de investigação", cujos detalhes não podem ser divulgados porque a polícia, neste caso, tem trabalhado de forma sigilosa.

"Existem indiciados, mas não podemos passar nomes, nem confirmar mais nada. Fizemos várias diligências que também não podem ser divulgadas. Sabemos que o anseio da sociedade é ver este caso resolvido, apesar de nem sempre dispormos de todas as condições para a elucidação. Mas este é o nosso desejo e estamos empreendendo todos os esforços nesse sentido", destacou Maria Angelita.

Apesar de a polícia não citar nenhum nome, documentos comprovam que o diálogo seria entre um homem conhecido como Bruno Tavares e outro ainda não identificado. No áudio, Bruno descreve como teria matado Roberta, tendo agido com o aval de Saulo Araújo, namorado da jovem e pai da criança ela estava esperando.

Relembre o caso


Moradores da cidade de Penedo, terra natal de Roberta Dias, foram surpreendidos, no último final de semana, com a divulgação do diálogo que envolveria o suposto executor do crime.

Roberta Costa Dias segue desaparecida desde abril de 2012, quando tinha 18 anos e estava grávida de três meses. Passados seis anos, a suspeita é a de que tenha sido assassinada em razão da gravidez não desejada pelo então namorado. Em 2013, três pessoas chegaram a ser presas preventivamente: a mãe do então namorado de Roberta Dias e dois policiais civis.

Até hoje, a mãe de Roberta cobra a prisão de todos os envolvidos. Para Mônica Dias, não haveria justificativa para o fato de os suspeitos continuarem em liberdade.

O diálogo em questão tem quase 20 minutos. Com riqueza de detalhes, o homem relata como teria matado a jovem, enforcada com um fio dentro do veículo em que se encontravam. Ele confirma, ainda, que foi convencido a cometer o crime pelo pai da criança que Roberta esperava.

Na mesma coletiva, o delegado Cícero Lima confirmou que o pedido de auxílio à Polícia Federal foi feito ainda no ano de 2016. Porém, não ratificou, nem desmentiu o conteúdo da gravação.