Advogado foi alertado sobre trama assassina por bilhete, diz polícia

Por Redação com Gazetaweb 03/05/2018 08h08 - Atualizado em 03/05/2018 11h11
Por Redação com Gazetaweb 03/05/2018 08h08 Atualizado em 03/05/2018 11h11
Advogado foi alertado sobre trama assassina por bilhete, diz polícia
Foto: Divulgação
A Secretaria de Segurança Pública (SSP/AL) confirmou, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (02), que o advogado Sinval José Alves é o autor intelectual da morte do sócio e colega de profissão Fernando Cabral de Lima, assassinado com dois tiros na cabeça, no dia 3 de abril deste ano, em Maceió. Durante a perícia, a polícia localizou na carteira da vítima um bilhete que uma terceira pessoa teria feito com o objetivo de alertá-la sobre uma trama assassina - a ser executada por alguém "muito próximo" a ela. Fernando Cabral, ainda segundo a polícia, chegou a tomar algumas precauções, revelando o conteúdo do bilhete a pessoas de seu convívio.

Quatro suspeitos da trama estão presos preventivamente. Ainda de acordo com a Polícia Civil, os autores materiais foram identificados como Irlan Almeida de Jesus e Denivaldo Bezerra da Silva Filho. Irlan teria se encontrado com Sinval dias antes do crime, registrado numa casa de câmbio na Ponta Verde, onde, inclusive, foram acordados os detalhes do assassinato e repassadas as informações sobre a rotina da vítima.

A investigação apontou que Sinval teria pago cerca de R$ 30 mil aos acusados de matar Fernando. À imprensa, a polícia contou também que, após entrar na casa de câmbio, Irlan entregou o revólver para Denivaldo, que efetuou os disparos de arma de fogo.

Já a pessoa que escreveu o bilhete alertando Fernando Cabral sobre a trama - Raimundo Pereira de Souza, mais conhecido como "Carrasco Gesseiro" - procurou o acusado da autoria intelectual dizendo que iria à polícia para denunciá-lo como o responsável pela morte anunciada.

Contudo, Carrasco, reforça a polícia, teria sido convencido a vender seu silêncio por R$ 20 mil. O encontro entre os dois chegou a ser realizado, mas, como a polícia já monitorava Sinval, o negócio não se concretizou.

Carrasco, por sua vez, tomou conhecimento do plano para matar o advogado após negar, por razão ainda desconhecida, proposta para tirar a vida de Fernando Cabral. Ele teve sua identidade mantida sob sigilo pela polícia até esta quarta porque, além de suspeito, também é considerado testemunha do caso.

A investigação policial apontou também que, logo após o crime, Irlan fugiu para a Bahia, vindo a ser localizado e detido na última sexta pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil daquele estado. Sobre a motivação do crime, a polícia afirma que a vítima devia cerca de R$ 600 mil ao sócio. Além disso, tinha a receber R$ 8 milhões em honorários contratuais informados pelo próprio Sinval.

Sinval está preso preventivamente no Presídio Militar. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), por sua vez, informou que vai abrir um procedimento que pode resultar na cassação da sua licença. Todos os acusados negam participação no crime.