Família Boiadeiro emite carta à imprensa cobrando nomes de mandantes de crime; confira

Por Gazeta web 26/02/2018 16h04 - Atualizado em 26/02/2018 19h07
Por Gazeta web 26/02/2018 16h04 Atualizado em 26/02/2018 19h07
Família Boiadeiro emite carta à imprensa cobrando nomes de mandantes de crime; confira
Foto: DÁRCIO MONTEIRO
m carta enviada à imprensa alagoana, a família Boiadeiro manifestou apoio às investigações policiais que resultaram na prisão do vereador por Batalha Alex Sandro Rocha Pinto e de outros dois suspeitos na morte do também vereador pela cidade sertaneja, Neguinho Boiadeiro, crime ocorrido em novembro de 2017. Na manifestação, os familiares de Boiadeiro dizem rechaçar qualquer tipo de vingança, mas cobram os nomes dos mandantes do crime, a fim de que todos sejam punidos com rigor.

Na carta, a família solicita, ainda, que as diligências sejam executadas com o devido respeito à família enlutada, já que a mesma estaria sendo vítima de supostos abusos praticados por autoridades policiais durante a investigação. "Diante das últimas notícias divulgadas acerca dos mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos e cumpridos no âmbito do inquérito policial que investiga o bárbaro e covarde assassinato do querido filho, pai, irmão e avô Adelmo Rodrigues de Melo, o Neguinho Boiadeiro, a família Boiadeiro vem a público se manifestar com serenidade para afirmar que as autoridades policiais e o Ministério Público estão no caminho correto", diz trecho do comunicado.

Para os familiares, os quatro presos em operação policial realizada na última sexta-feira têm participação direta na morte do vereador. "Os indivíduos presos participaram ativamente do pusilânime assassinato do vereador mais votado nas últimas eleições municipais de 2016 na nossa cidade de Batalha (...) porém, como afirmaram categoricamente as autoridades policiais e do Ministério Público, esta é a primeira etapa, e urge avançar na descoberta e exposição dos mandantes políticos do selvagem assassinato que, infelizmente, ainda não foram revelados".

Sobre a suposta perseguição da qual os familiares têm sido vítima, a carta destaca a busca dos familiares por Justiça, independentemente das ameaças que venham a receber. "Nossa família, humildemente, requer às autoridades alagoanas que não nos persiga, que não adentrem em nossos lares pela madrugada, que não nos intimidem com ameaças, com truculência, empunhando armas de alto poder de fogo, porque não abriremos mão de buscar justiça. Salientamos que, desde o assassinato de Neguinho Boiadeiro, nossa família, enlutada, vive na diáspora que nos foi imposta, com nossos familiares tendo de sair de seus lares por causa de pressões advindas de diligências policiais que não primam pela isenção e, muitas vezes, materializam verdadeiros abusos, razão pela qual rogamos ao Governo do Estado de Alagoas e suas autoridades constituídas que se mantenham imparciais, republicanas e cumpridoras da lei, respeitando os nossos direitos".

A família Boiadeiro alega também que, diante da repercussão do assassinato, pretende denunciar o caso às comissões do Congresso Nacional, além de à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Por fim, a família Boiadeiro reafirma a confiança nas autoridades constituídas, anunciando que dará publicidade nacional ao caso, comunicando-o à Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, em Brasília-DF, à OAB Nacional e à toda a imprensa brasileira", diz outro trecho do comunicado que também fala em "perseguição desumana e irracional".

Outras prisões

Até aqui, as investigações concluíram que os suspeitos de executar a morte do vereador chegaram à cidade sertaneja e, inicialmente, fizeram uma panfletagem para divulgar suposto serviço de limpeza de caixas d'água, quatro dias antes do crime, numa tentativa de despistar a polícia.

Já o carro utilizado saiu de Major Izidoro, outra cidade sertaneja, no dia do crime. O veículo teria sido roubado em Maceió dois meses antes e não chegou a ser usado para o cometimento de outros delitos. Após o homicídio, o veículo foi queimado.

"Não existe B.O. deste carro em outros crimes. Ele foi roubado e, dois meses depois, utilizado na morte", afirmou o delegado Cícero Lima, responsável pela investigação policial.

Apesar das prisões ocorridas na última sexta, a motivação da morte de Neguinho Boiadeiro, ainda segundo o delegado, só será divulgada após a conclusão do inquérito, pois, as investigações ainda não cessaram.

"Nós sabemos a motivação, mas, como há mais pessoas envolvidas, estamos trabalhando para divulgá-la somente quando da conclusão do inquérito, que ainda está em sua primeira fase", ressaltou.

Sobre a suposta ligação entre as mortes de políticos na mesma cidade - dias após, outro vereador, Toni Pretinho, também foi executado em Batalha -, o delegado Gustavo Xavier, que integra a comissão criada para apurar os homicídios, não descarta tal possibilidade. Contudo, também reforça a necessidade de se aguardar o encerramento das investigações.

Confira, abaixo, a íntegra da nota:

A família Boiadeiro, diante das últimas notícias divulgadas pela imprensa acerca dos mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos e cumpridos no âmbito do inquérito policial que investiga o bárbaro e covarde assassinato do querido filho, pai, irmão e avô, Adelmo Rodrigues de Melo, o Neguinho Boiadeiro, vem a público se manifestar com serenidade para afirmar que as autoridades policiais e do Ministério Público estão no caminho correto!

Os indivíduos presos participaram ativamente do pusilânime assassinato do vereador mais votado nas últimas eleições municipais de 2016 na nossa cidade de Batalha, o nosso inesquecível Neguinho Boiadeiro, porém, como afirmaram categoricamente as autoridades policiais e do Ministério Público, essa é a primeira etapa e urge avançar na descoberta e exposição dos mandantes políticos do selvagem assassinato que, infelizmente, ainda não foram revelados.

Esperamos que as prisões temporárias efetuadas nessa primeira etapa sejam mantidas e transformadas em prisões preventivas. Seguramente, a manutenção dessas prisões levará às autoridades aos mandantes e pistoleiros ainda não revelados desse selvagem assassinato. Outrossim, comunicamos a toda a sociedade alagoana que os Boiadeiros não descansarão enquanto os assassinos não estiverem na cadeia.

Não queremos vingança. Queremos justiça! Nossa família, humildemente, requer às autoridades alagoanas que não nos persigam, não adentrem em nossos lares pela madrugada, não nos intimidem com ameaças, com truculência, empunhando armas de alto poder de fogo, porque não abriremos mão de procurar justiça. Salientamos que desde o assassinato de Neguinho Boiadeiro, nossa família, enlutada, vive na diáspora que nos foi imposta, com nossos familiares tendo que sair de seus lares por causa de pressões advindas de diligências policiais que não primam pela isenção e muitas vezes materializam verdadeiros abusos, razão pela qual rogamos ao Governo do Estado de Alagoas e suas autoridades constituídas que se mantenham imparciais, republicanas e cumpridoras da lei, respeitando os nossos direitos.

Por fim, os Boiadeiros reafirmam a confiança nas autoridades constituídas, anunciando que darão publicidade nacional, inclusive comunicando a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, em Brasília-DF, à OAB Nacional e à toda imprensa brasileira sobre este caso e a perseguição desumana e irracional que sofre a nossa família. Toda a sociedade da nossa estimada cidade de Batalha/AL sabe que o nosso querido Neguinho Boiadeiro era um servidor do povo. Seu mandato era exercido em nome e em benefício do povo. Sua atuação política sempre foi para ajudar aos mais necessitados. Nossa dor será eterna pela sua ausência.

Jamais esqueceremos do nosso amado Neguinho Boiadeiro.