A importância do Boletim de Ocorrência para Arapiraca

Por Niel Antonio 02/11/2016 08h08 - Atualizado em 03/11/2016 10h10
Por Niel Antonio 02/11/2016 08h08 Atualizado em 03/11/2016 10h10
A importância do Boletim de Ocorrência para Arapiraca
Foto: Já é Notícia
A onda de assaltos e furtos em Arapiraca tem amedrontado comerciantes de estabelecimentos diversos da cidade, assim como tem deixado moradores assustados, principalmente quando eles saem de suas casas para o trabalho. Mas a audácia dos criminosos é tanta, que eles aguardam o momento em que os moradores estão dormindo, para atacar.

São furtados eletrodomésticos e dinheiro, veículos, além de objetos das residências, com risco de morte iminente, sendo importante que a população esteja ciente de que é necessário denunciar os casos, com a confecção de um Boletim de Ocorrência (BO) na Central de Polícia, mesmo quando se tratar de invasão sem furtos aparentes. O BO também deve ser confeccionado quando se perde um celular ou a partir do desaparecimento de pessoas, por exemplo.

A partir do registro do crime na delegacia, a polícia tem como identificar quais são as áreas de risco da cidade e reforçar a segurança, para coibir que os atos continuem sendo realizados pelos criminosos.

“Diante da necessidade de se dinamizar o policiamento em locais de maior intensidade criminal, o Boletim de Ocorrência é fundamental para o emprego de nossas tropas na cidade”, afirma o comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel José Cláudio.

Atualmente, em Arapiraca, as áreas consideradas de maior vulnerabilidade social, que abrangem a periferia da cidade, não são as que apresentam maior risco. De acordo com o tenente-coronel J. Cláudio, crimes como homicídios, violência contra o patrimônio, roubos de veículo e roubos nas ruas estão acontecendo em todos os bairros da Capital do Agreste e são considerados para serem tomados como base para a atuação da polícia.

“Na verdade, não existe um bairro que a gente denomine um bairro mais perigoso, porque os bairros são atendidos na mesma proporção, desde que variem em questão de menor ou maior intensidade criminal. A vítima não pode deixar de confeccionar o Boletim de ocorrência, porque ele ajuda no direcionamento do policiamento, bem como possibilita a autoridade Judiciária a realizar a investigação e, por fim, a responsabilização dos fatos”, ratificou o comandante.
 
 

Tenente-coronel José Cláudio, comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar de Arapiraca. Foto: Júnior Silva (Já é Notícia).


Mapeamento
O mapeamento da violência de Arapiraca é feito mediante acompanhamento de área pelo Núcleo de Estatística e Análise Criminal (NEAC), da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP), que realiza a coleta de informações de Boletins de Ocorrências e comunicação de ocorrências policiais, com foco prioritário nos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI): homicídio doloso, roubo seguido de morte (latrocínio), lesão corporal com resultado de morte, resistência com resultado de morte e outros atos violentos contra a pessoa que resultem em morte.

De acordo com o Boletim Anual da Estatística Criminal de 2015, apresentado pelo NEAC, foram constatados 133 homicídios em Arapiraca, número alto, mas que já representa redução em relação aos anos anteriores, com 156 em 2014, e 150, em 2013. O gráfico de 2015 apresenta picos elevados nos meses de janeiro, março, julho e novembro daquele ano, sendo o percentual de 98,5% dos crimes contra o sexo masculino e 1,5% contra o sexo feminino.

“A violência tem origem em diversos fatores, desde cultural à financeira, passando por vários aspectos familiares, de moradia, emprego e renda e uso de drogas. Este último tem se tornado bastante presente nas ocorrências de Arapiraca”, comentou J. Cláudio.

Um dos fatores que trouxeram bastante positividade para operações em Arapiraca é a Operação Integrada, onde corporações policiais trabalham em conjunto, contando muitas vezes com a participação do helicóptero Falcão 4.

“Em agosto deste ano, por exemplo, nós tivemos a maior redução de Crimes Letais Intencionais, comparando com o mesmo mês desde 2013”, completa. O mês de agosto de 2016 teve apenas 6 homicídios, enquanto que no mesmo período de 2015 foram 11, em 2014, 15, e em 2013, 8.

Ligação para 190 não é registro de ocorrência

A população às vezes se engana ao achar que ligar para o 190 a ocorrência fica registrada. A atuação da Polícia Militar é ostensiva e vai atuar no momento da denúncia. Após esse atendimento da ocorrência, a situação deve ser encaminhada para a Delegacia da Polícia Civil, onde é feito o registro do Boletim de Ocorrência, que gera a instauração de um inquérito policial. Uma vez encontrado um veículo roubado, por exemplo, sem o auxílio da polícia, o proprietário deve informar à unidade policial mais próxima.

Informar às autoridades sobre os crimes é fazer valer o direito de ter uma segurança pública digna de uma comunidade. Quem procura a delegacia e realiza denúncia sobre qualquer crime está cooperando com informações que serão enquadradas na estatística de ocorrência e é baseando-se nesses números que o governo vai realizar o investimento na segurança pública.