Coordenador de colégio particular é denunciado por assédio e racismo, em AL

Por Redação 19/09/2016 15h03 - Atualizado em 20/09/2016 12h12
Por Redação 19/09/2016 15h03 Atualizado em 20/09/2016 12h12
Coordenador de colégio particular é denunciado por assédio e racismo, em AL
Foto: Reprodução
Uma Polêmica, envolvendo o coordenador de um colégio particular de Maceió e alunos, está tomando conta das redes sociais desde o último domingo (18). O homem é acusado de racismo e assédio de menores.

Após a repercussão do caso de racismo nas redes sociais, o advogado criminalista, Welton Roberto, usou suas redes sociais, na tarde desta segunda-feira (19), para denunciar o coordenador de ensino médio do colégio Contato Farol, identificado como Washington Freitas. Ele acusa Washington de assediar sexualmente a filha e outras alunos.

Welton divulgou o "print" de uma conversa onde Washington faz comentários de cunho sexual acerca de um short que a filha dele estava usando e chama a menor para ir à sala do coordenador. O advogado disse que irá utilizar esse e outros “prints” que estão com ele nas ações criminais e cíveis que irá mover contra o coordenador e a escola.

“Quando coloquei meus filhos Lucas e Beatriz para estudarem no Colégio CONTATO, fui levado de forma empolgada pelas propagandas de que era o colégio que mais aprovava no ENEM, etc e tal. Vi ali uma oportunidade deles poderem se preparar para o "futuro", de escolherem uma profissão, de poderem se virar, de serem independentes, de poderem se guiar sem o pai, uma vez que tenho exata noção da minha finitude neste espaço de viventes. Minha filha, Beatriz Roberto se destacava como "aluna Destaque". Recebia as "premiações" devidas a seu esforço pessoal e merecidamente conquistava espaço para escolher sua profissão.

Ontem meu castelo de areia ruiu. E vou explicar. O coordenador de ensino médio desta escola fez um comentário pra lá de racista em uma foto de uma adolescente que se encontrava em trajes de praia. Repercussão nas redes e a bomba me chega. Achei absurdo e já iria na escola conversar com " o dono" de lá pra mostrar a ele que um educador não pode ter este tipo de atitude racista, seja lá qual for a explicação dele. Mas a coisa era muito pior. Muito pior do que tudo isso. Descobri que o cidadão tem o costume de "assediar" as alunas, ESSAS MESMO QUE ELE DEVIA ORIENTAR E PROTEGER, com comentários sobre as partes íntimas delas, inclusive enviando mensagens maliciosas as mesmas. Minha filha Bia foi vítima deste cidadão, soube disso agora há pouco. Ela envergonhada ainda não me contara com medo da minha reação. E ela estava certa. A vontade primitiva que me deu foi de invadir a escola e fazer aquilo que um "cabra safado" como esse merece, ensinando a este senhor de mais de 50 anos que respeito é o primeiro ponto quando se trata da educação com ADOLESCENTES de 14 a 17 anos.

Contive-me. Não foi fácil, confesso. A raiva e o ódio tomaram conta de mim, tentei me acalmar por várias vezes e consegui. Todos que me acompanham e me conhecem sabem do amor, carinho e veneração que tenho pelos meus filhos. Sou um pai exageradamente PAI! Pois bem. Resolvi publicar isso para mostrar a este senhor que atende pelo nome de WASHINGTON que a partir de agora ele vai ter que explicar "as gracinhas" dele contra a minha filha e a filha de muitos pais na Justiça. Abaixo colaciono só um das dezenas de prints que tenho sobre a forma como ele se relaciona com as alunas de lá e que vou encaminhar nas ações criminais e cíveis contra ele e contra a escola, e que mais vítimas desse tarado racista apareçam e que sirva de alerta a todos os pais.

A conversa é de 2013 com uma das alunas, ou seja, há muito que o mesmo vem agindo dessa forma. Soube também que o referido cidadão tinha a mania de pegar nas nádegas das alunas. Sinto-me destruído. Indignado. Arrasado. Mas a luta contra este tipo de coisa está SÓ COMEÇANDO”, relatou Welton.
 

"Print" do comentário racista para uma aluna 

Defesa

Washington Freitas também utilizou as redes sociais para enviar um pedido de desculpas à adolescente que tirou uma foto com trajes de praia e que ele a chamou de sereia preta. Na publicação, o coordenador disse que não tinha intenção de ofender a garota. "Nunca tive a intenção de ofender e você sabe muito bem disso pois já a ajudei diversas vezes, de diversas formas. Sempre tivemos liberdade de brincarmos com a nossa cor negra, diga-se de passagem muito bela ao qual eu tenho muito ORGULHO, não sei como nem porque criou-se essa proporção totalmente descabida de racismo, sempre a respeitei e exijo também o mesmo respeito já que seu namorado e algumas outras pessoas não me conhecem e nem o meu trabalho, essa brincadeira levada como maldade racista apenas vem a acrescentar o grau de malícia se proliferando cada vez mais na sociedade. Tenho absoluta certeza que as pessoas que me conhecem sabem do ser humano e do profissional que sou. Novamente te peço sinceras desculpas por qualquer letra que tenha digitado mesmo sem maldade, mas que tenha sido caracterizado como racismo", disse o coordenador nas redes sociais.

Por meio de nota, o colégio se pronunciou, na tarde desta segunda-feira (19), e alegou que irá afastar o colaborador de suas atividades para preservar a integridade de nossos alunos, que sempre foi a nossa prioridade.

“O Contato vem por meio deste pronunciar-se acerca dos comentários feitos por meio das redes sociais.

A direção busca nortear, permanentemente, ações educacionais isentas de qualquer tipo de discriminação racial, religiosa, linguística e atitudes que possam causar constrangimento uma vez que nosso principal eixo de aprendizado é o convívio coletivo harmonizado entre os alunos, os colaboradores, os pais e toda a comunidade.

É com essa base sólida de conhecimento e disciplina que há 23 anos somos referência no cenário educacional de Alagoas buscando contribuir com a formação do aluno no convívio social, aprendendo a conviver e respeitar as diferenças.
Hoje, sabemos que o cenário digital tem uma enorme dimensão e que as consequências que um comentário pode causar são de inteira responsabilidade de quem o proferiu. Essa é uma preocupação constante da escola, que realiza ações para conscientização do meio online, tais como: palestras, reunião de pais, debates entre pais e alunos sobre o uso de redes sociais, para que nossa comunidade possa encarar esse ambiente com a responsabilidade necessária.

A empresa gostaria de deixar exposto que rejeita qualquer atitude discriminatória e ilegal, e qualquer colaborador que cometa uma infração, fora ou dentro do ambiente da empresa, a partir do momento que a outra parte se sinta prejudicada, deverá ser acionado pelas formas legais.

Sobre as acusações em questão, a empresa não foi notificada a respeito e irá acionar as partes para esclarecer os acontecimentos e se posicionar de forma justa. Por enquanto, diante do que foi exposto, a instituição decidiu afastar o colaborador de suas atividades para preservar a integridade de nossos alunos, que sempre foi a nossa prioridade”.