Caso Abinael: colega de trabalho encomendou morte do estudante por R$ 6 mil

Por Redação com Agências 23/06/2016 14h02 - Atualizado em 23/06/2016 19h07
Por Redação com Agências 23/06/2016 14h02 Atualizado em 23/06/2016 19h07
Caso Abinael: colega de trabalho encomendou morte do estudante por R$ 6 mil
Ericksen e Jalves foram presos por suspeita de matar o jovem Abinael - Foto: THIAGO GOMES
A cúpula da segurança pública de Alagoas apresentou, na manhã desta quinta-feira (23), o desfecho do Caso Abinael, que ficou desaparecido por uma semana e teve um fim trágico, sendo encontrado morto em uma região de usina no município de Rio Largo. A morte dele foi encomendada por R$ 6 mil, valor que foi sendo pago de forma parcelada. Duas pessoas foram presas.

Dois homens, que seriam os autores material e intelectual do crime, foram identificados e presos, conforme a polícia. A motivação da morte teria sido inveja profissional. Eles foram apresentados durante a entrevista coletiva.

O delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, declarou que Abinael "morreu por nada". Durante a coletiva, para o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Lima Júnior, agradeceu a todos que se envolveram para solucionar o crime. Segundo ele, a hipótese trabalhada até o momento é a de que a motivação do crime foi inveja profissional, mas uma suposta dívida da vítima com um dos acusados também está sendo avaliada.

Com base no relato, a polícia informou que Ericksen simulou uma emboscada para atingir o 'amigo', que, costumeiramente, frequentava a casa da noiva. O rastreador do aparelho celular foi fundamental para indicar as pistas dos suspeitos. O sistema do equipamento mostrou que Abinael estava em conversa com o gerente da loja em Sergipe, quando interrompeu a ligação para atender ao 'amigo', que simulava uma troca de pneus de outro carro. Neste momento, segundo a polícia, a vítima foi carregada para a morte. O aparelho foi desligado e religado apenas no outro dia, quando já estava com Jalves, e com outro chip.

No entanto, ainda conforme a investigação, um terceiro receptador, por nome de Alfredo, ficou com o aparelho, que precisou ser devolvido ao Jalves assim que a família procurou a polícia e divulgou o sumiço da vítima nas redes sociais. Os autores do crime ficaram temerosos de ser descobertos e preferiram, segundo o delegado Ronilson, ficar com o celular.

A localização deles somente foi possível graças ao sistema do aparelho, que indicou a área exata. A prisão de Jalves aconteceu no dia 20, depois do pedido feito pela polícia, à Justiça. Ele negou, inicialmente, a participação, mas decidiu colaborar com o inquérito e revelou detalhes da trama e citou o nome de Ericksen como mandante do crime. Este foi preso no dia 21 e despistou quanto à autoria. Apenas nessa quarta-feira, deu detalhes de como orquestrou a morte do 'colega de trabalho' e melhor amigo.

Ele alega que se sentiu pressionado por uma dívida que teria com a vítima, no valor de R$ 12 mil. Por isso, chamou um comparsa para a execução, que cobrou R$ 6 mil. Antes do crime, duas parcelas de R$ 1.500 já tinham sido pagas. Outra, no valor de R$ 1.400, foi dada após o assassinato, restando R$ 1.600 a serem quitados posteriormente.

No entanto, o gerente da loja em Sergipe, Regivaldo Clementino, disse, em depoimento, que ano passado um e-mail foi enviado para Ericksen por engano contendo a lista dos contracheques de todos os funcionários da empresa. O suspeito teria ficado enfurecido ao descobrir que ganhava bem menos do que o salário do 'amigo', que também era gerente em Maceió e forçou, até, seu próprio aumento na remuneração. Ericksen estava sendo treinado para ser supervisor e a polícia acredita que ele queria a função de Abinael, por isso, nutriu inveja e planejou a morte.

Além disso, a polícia descobriu que Ericksen tentava se assemelhar ao 'amigo' em tudo, até nas características físicas e nas roupas e objetos que tinha.

De acordo com o delegado Ronilson Medeiros, os dois presos vão responder por homicídio qualificado (por motivo torpe, crime de mando e com mais de um participante. O resultado das perícias ainda é aguardado e a investigação terá sequência para descobrir se há outros envolvidos na trama.

Ronilson disse que a ajuda da população, por meio do disque denúncia 181, foi muito importante nas investigações, especialmente para o encontro do corpo.

Ele acrescentou que as investigações continuam e não descartou a participação de outros envolvidos na morte do jovem.