70 casos e mortes por suspeita da Síndrome de Guillain-Barré são registrados em Alagoas

Por Redação com Gazetaweb 06/06/2016 14h02 - Atualizado em 07/06/2016 11h11
Por Redação com Gazetaweb 06/06/2016 14h02 Atualizado em 07/06/2016 11h11
70 casos e mortes por suspeita da Síndrome de Guillain-Barré são registrados em Alagoas
Foto: Divulgação
Têm aumentado as notificações, em Alagoas, da Síndrome de Guillain-Barré, doença neurológica grave caracterizada pela inflamação dos nervos e fraqueza muscular e que pode estar associada à complicações dos vírus da zika e febre chikungunya, e mortes suspeitas da enfermidade chamam a atenção. Em um ano (de maio do ano passado até agora) foram 70 casos da enfermidade registrados pela Santa Casa de Maceió, que está credenciada para o acompanhamento destes pacientes.

Nesta segunda-feira (6), uma idosa que tinha 72 anos e estava internada há dias na unidade de saúde depois de contrair a chikungunya morreu e a provável causa seria a síndrome. Conforme familiares, a aposentada teve sintomas da febre e aos poucos foi perdendo os movimentos dos braços e das pernas. Exames específicos comprovaram a presença do vírus no organismo dela. Um quadro de encefalite (inflamação do encéfalo) já havia sido diagnosticado.

As autoridades também devem investigar a causa da morte de uma criança de 3 anos, procedente do município de Murici, ocorrida na semana passada. O menino teve febre alta e outros sintomas característicos de processos virais e recebeu os cuidados de equipes médicas da cidade onde morava e também do Hospital Geral do Estado (HGE). Exames foram feitos para tentar atestar se o garoto foi infectado por vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

O médico hematologista Wellington Galvão, que atende pacientes com esta síndrome na Santa Casa, disse que, por enquanto, está acompanhando cinco doentes, mas desde o ano passado 70 já passaram pelos cuidados da equipe. De maio a dezembro de 2015 foram 43 internamentos, sendo a maioria evoluindo bem ao tratamento.

O especialista confirma a morte de um paciente, recentemente, procedente de Porto Calvo. O enfermo tinha 58 anos e apresentou uma lesão cerebral grave. A família dele não sabia qual a origem do problema (se era zika vírus ou febre chikungunya).

"É cada vez mais frequente as mortes em decorrência de complicações neurológicas por arboviroses, que pode ser qualquer vírus atualmente. Idosos e pacientes com algum fator de risco são os mais vulneráveis. No entanto, em geral, o tratamento dos que aparecem com a Síndrome de Guillain-Barré tem evoluído positivamente. O que preocupa é quando algum paciente inserido no quadro de risco é atingido", avalia o médico.

Segundo Galvão, o aumento de casos da síndrome, atrelada aos vírus zika e febre chikungunya, está diretamente ligado aos eventos internacionais que acontecem no Brasil. "Pessoas que vêm da África trazem consigo estes males. O perigo maior é esta Olimpíada, que está prestes a acontecer. Assim como a Copa, o risco de aumento de casos virais é muito grande", avalia.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) reafirma que os casos da Síndrome de Guillain-Barré não são notificados oficialmente por não haver obrigatoriedade pelo Ministério da Saúde.