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Esporte

Publicado Terça-Feira, 09/10/2018 16:41 | Atualizado Terça-Feira, 09/10/2018 16:50

Por: Redação com Gazetaweb.com

Pedido de vista adia julgamento que pode banir Chicão do futebol

Em depoimento aos auditores do STJD, árbitro alagoano se emocionou ao negar envolvimento em esquema de manipulação de resultados na Paraíba

Foto por: Assessoria

Chicão se emocionou ao negar participação em esquema durante depoimento

A Terceira Comissão Disciplinar do STJD do Futebol se reuniu, nesta terça-feira (09), para julgar suspeitos de envolvimento em esquema de corrupção e manipulação de resultados no futebol da Paraíba. Entretanto, um pedido de vista feito pelo auditor Vanderson Macullo para analisar a competência do julgamento pela comissão adiou a decisão do tribunal.

Entre os denunciados está o árbitro alagoano Francisco Carlos do Nascimento, o Chicão, que pode ser banido do futebol em caso de condenação.

Em razão do pedido de vista, ainda não há data definida para a retomada do julgamento. Ao todo, até aqui, 20 pessoas foram denunciadas em dois processos da Procuradoria da Justiça Desportiva. Apenas Chicão, denunciado em primeira instância, compareceu para prestar depoimento.

Integrante da Comissão de Árbitros da Federação Alagoana de Futebol (FAF), Chicão foi o árbitro sorteado e responsável por apitar a primeira partida da final do Campeonato Paraibano de 2018, entre Botafogo e Campinense. O denunciado contou sua versão dos fatos e explicou que acabou participando de uma conversa sem saber do que se tratava.

"O único jogo que fiz foi o primeiro jogo da final. Fui designado para fazer esse jogo na Paraíba. Automaticamente, quando saiu a escala, o Danilo [Corisco, massagista apontado como o interlocutor entre Chicão e Willian Simões, do Campinense] entrou em contato comigo. Ele é o cara que nos auxilia e de confiança na Paraíba. Saí de Alagoas na quarta para fazer esse jogo, acompanhado dos dois assistentes. Ele (Danilo) me perguntou em qual hotel eu queria ficar, e a reserva foi feita pelo meu assistente. Cheguei na Paraíba na quarta à noite, quando o Danilo me mandou uma mensagem. Ele perguntou a que horas íamos tomar café. Depois do café, perguntou a que horas íamos almoçar. Eu falei que às 13h, mas, às 11h30, ele já estava na recepção do hotel", disse o árbitro, que se emocionou durante o depoimento.

Chicão explicou também que, após o almoço, parou em um estabelecimento para comprar uma garrafa d'água, quando Danilo fez uma ligação e entregou o telefone ao árbitro. Este, por sua vez, disse acreditar que conversava com alguém da federação paraibana quando perguntado sobre a partida e confirmado que estava tudo certo. Alegou, ainda, que, somente após a divulgação da Operação Cartola é que descobriu com quem havia conversado, ou seja, o dirigente de um dos clubes finalistas.

Ciente do ocorrido, o árbitro procurou a comissão da federação alagoana e a Comissão de Arbitragem da CBF, colocando à disposição de ambas os seus sigilos telefônico e bancário para comprovar que não teve nenhum envolvimento no esquema de corrupção. O árbitro juntou, ainda, o comprovante de pagamento do hotel em que ficou na Paraíba, comprovando que pagou sua estadia com seu próprio dinheiro.

"Saí, com minha mãe e irmã, de uma cidade pobre. Não tínhamos onde morar. Fui árbitro Fifa e, hoje, já tenho minha casinha. Tudo o que tenho conquistei com a arbitragem foi de forma correta. Quem ia para a Paraíba sempre procurava o Danilo em busca de alguma assistência. Ele disse que foi chamado na polícia e que iria falar a verdade. Foram 35 dias sem dormir. Hoje, sou referência no meu estado na arbitragem. Quem fosse para aquela final teria problema. O Danilo foi à delegacia e falou que não tive envolvimento. Portanto, vim para tirar qualquer tipo de dúvida, e tenho certeza de que a justiça será feita. Aqui estou para responder o que me perguntarem", declarou.

Na oportunidade, Chicão voltou a garantir sua inocência. "Hoje é meu aniversário e, por isso, queria estar em casa com minha família, mas vim esclarecer tudo. Quero dizer que não tenho nada com isso. Paguei o hotel onde estive hospedado. E mesmo nos jogos da CBF, era este mesmo Danilo quem dava assistência aos árbitros na Paraíba", emendou.

Chicão revelou também que, em 10 anos, apitou quatro jogos na Paraíba sem nunca ter enfrentado nenhum tipo de problema. "Sou um árbitro de total confiança da Comissão de Arbitragem. Fui o primeiro árbitro FIFA de Alagoas e nunca tive nenhuma mancha na carreira. Assim que soube do fato, emiti uma nota e atendi toda a imprensa para tirar quaisquer dúvidas. Continuo na ativa. Fiquei 35 dias afastado, veio a denúncia e saí de lá como ouvinte", reforçou.

Por fim, Chicão também mostrou os áudios trocados com Danilo, a quem pediu que explicasse o fato. Tais áudios foram encaminhados aos auditores, assim como o depoimento prestado por Danilo à polícia da Paraíba, em que o mesmo afirmou que o árbitro Chicão não sabia com quem falou no telefone.

Finalizada a fase de instrução, o presidente em exercício, auditor Otacílio Araújo, debateu as dúvidas existentes com os colegas auditores, quando Vanderson Maçullo pediu vista por dúvida de competência. O julgamento dos dois processos foi, então, suspenso.
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