Blogs
PF é acionada para investigar aplicação de R$ 117 milhões do IPREV na gestão JHC
A crise envolvendo os investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (IPREV) ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (18). Representantes dos sindicatos que defendem servidores ativos, aposentados e pensionistas protocolaram, na Superintendência Regional da Polícia Federal em Alagoas, um pedido formal de investigação sobre a aplicação de mais de R$ 117 milhões em Letras Financeiras do Banco Master durante a gestão do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC.
O documento foi entregue à superintendente regional da Polícia Federal, delegada Bruna Rizzato Barbosa, acompanhado de um relatório técnico que reúne dados oficiais, informações previdenciárias, denúncias encaminhadas a órgãos de controle, reportagens investigativas e análises sobre a governança do IPREV.
Segundo as entidades, os recursos investidos possuem natureza previdenciária e pertencem aos milhares de servidores municipais que contribuem mensalmente para garantir suas aposentadorias e pensões. Por isso, defendem que o caso seja tratado como uma questão de interesse público e não apenas administrativa.
No pedido encaminhado à Polícia Federal, os sindicatos afirmam que os recursos foram aplicados em condições consideradas incompatíveis com a legislação previdenciária e pedem apuração de possíveis ilícitos penais, além de eventual responsabilização por improbidade administrativa.
O presidente do Sinteal, Izael Ribeiro Gomes, afirmou que a mobilização sindical para investigar o destino dos recursos não começou agora.
“Desde novembro nós entramos com um pedido ao Tribunal de Contas da União para investigar para onde foram os R$ 117 milhões do Banco Master. De lá para cá, nós não tivemos respostas nem do Fundo de Previdência. Estamos acompanhando esse processo e agora buscamos uma investigação da Polícia Federal”, declarou.
Segundo ele, o principal objetivo é recuperar os recursos que pertencem aos servidores municipais.
“Estamos aqui para pedir que os órgãos de controle institucional e a Polícia Federal investiguem para que o fundo possa receber de volta o dinheiro que foi retirado. Estamos falando da contribuição das trabalhadoras e dos trabalhadores, descontada durante anos dos salários para garantir a aposentadoria de cada um deles”, afirmou.
Além dos R$ 117 milhões aplicados no Banco Master, o dossiê elaborado pelas entidades aponta outros investimentos que também despertam preocupação.
“Através dos portais da transparência montamos um levantamento que mostra, além dos R$ 117 milhões, mais de R$ 50 milhões em um fundo imobiliário. Nós não sabemos exatamente como foi feita a escolha desse fundo, quais critérios foram utilizados e como ocorre o acompanhamento desses recursos”, disse Izael.
O dirigente sindical destacou que o relatório entregue à PF foi construído justamente para subsidiar uma investigação mais ampla sobre a gestão dos recursos previdenciários.
“Estamos tratando do salário das pessoas. É o dinheiro depositado mensalmente para garantir a previdência de milhares de trabalhadoras e trabalhadores. O objetivo desse dossiê é subsidiar uma investigação da Polícia Federal”, afirmou.
Durante a entrevista, Izael também cobrou celeridade das autoridades e lembrou que operações envolvendo o Banco Master já alcançaram outros estados.
“A Polícia Federal já realizou ações no Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. Queremos que Maceió também seja investigada. Foi um dos municípios que comprou essas letras financeiras do Banco Master e toda essa situação precisa ser esclarecida. O mais importante é que esse dinheiro retorne para os cofres da previdência”, declarou.
As entidades sindicais sustentam que eventual prejuízo ao patrimônio do IPREV não afeta apenas os segurados, mas pode atingir toda a população de Maceió. Isso porque uma insuficiência financeira do fundo previdenciário poderá exigir aportes futuros do Tesouro Municipal para garantir o pagamento das aposentadorias.
O presidente do Sinteal também criticou a falta de respostas sobre o caso e cobrou explicações tanto da gestão em que o investimento foi realizado quanto da atual administração.
“Quem vai pagar essa conta? Não pode ser o trabalhador e a trabalhadora que contribuíram durante toda a vida. Queremos respostas do ex-prefeito JHC, que estava à frente da Prefeitura quando o investimento foi feito, e também da atual gestão. O que não pode acontecer é esse dinheiro desaparecer sem que ninguém seja responsabilizado”, afirmou.
Izael também criticou as iniciativas judiciais movidas por JHC contra veículos de comunicação que divulgaram informações sobre o caso Banco Master.
“A população tem o direito de saber o que aconteceu com o dinheiro das aposentadorias. Não é censurando a imprensa que essa discussão vai acabar. Pelo contrário. É preciso transparência para que os servidores e toda a sociedade saibam o que foi feito com esses recursos”, disse.
Ao final do documento protocolado na Polícia Federal, os sindicatos destacam que tiveram dificuldades para acessar documentos considerados essenciais para a completa reconstrução dos fatos e defendem que a investigação federal seja capaz de esclarecer quem autorizou os investimentos, quais análises de risco foram realizadas e quais medidas serão adotadas para garantir a proteção dos recursos previdenciários dos servidores municipais.



Política em Pauta
Informações sobre politica, com atualização diária, de forma dinâmica e prática.
Aqui você fica por dentro das principais notícias sobre a política brasileira, sobretudo a alagoana e o que ocorre em seus bastidores.
Um ambiente de comunicação inteligente dinâmica, imparcial, com entrevistas e espaço diálogo!
Últimas notícias
Renato Gaúcho é demitido do Vasco
Companhia de Raio prende três suspeitos de tráfico de drogas no Centro de Maceió
Guarda Municipal prende suspeito de furto de fios no bairro de Jaraguá, em Maceió
Força Tática do 4º BPM prende suspeito de tráfico de drogas no Tabuleiro do Martins

