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Família Higino, que controla duas Prefeituras, é alvo de denúncia sobre uso de verba da educação em arena de vaquejada e despesas privadas
Uma reportagem publicada nesta segunda-feira, 1º de junho, pelo Jornal Folha de S.Paulo trouxe à tona denúncias envolvendo a aplicação de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) nos municípios de Campo Grande e Olho d’Água Grande, no Agreste de Alagoas.
De acordo com a investigação, documentos, extratos bancários, notas fiscais e relatos obtidos pela equipe de reportagem apontam indícios de que verbas destinadas à educação teriam sido utilizadas para custear despesas sem relação com a rede pública de ensino.
As duas cidades são administradas por integrantes da família Higino. Campo Grande é governada pelo prefeito Teo Higino, enquanto Olho d’Água Grande tem à frente a prefeita Suzy Higino, sobrinho e esposa do ex-prefeito Arnaldo Higino, que exerce influência na região há mais de duas décadas.
Segundo a reportagem, os valores apontados como supostamente utilizados de forma irregular chegam a pelo menos R$ 6 milhões nos últimos cinco anos. Entre os gastos identificados estão compras de materiais de construção, peças para tratores, pneus, agrotóxicos, lonas para silo e serviços que, conforme a investigação, não possuem relação direta com a manutenção e desenvolvimento da educação básica.
Um dos principais pontos levantados pela Folha envolve a reforma do Parque de Vaquejada Evan Higino, empreendimento privado ligado à família. De acordo com os documentos analisados, materiais como vigas metálicas, telhas e itens de serralheria teriam sido adquiridos com recursos oriundos das contas do Fundeb dos dois municípios.
A investigação aponta que, enquanto recursos da educação teriam sido destinados à reforma da arena, escolas das duas cidades enfrentam problemas estruturais. Em Campo Grande, a reportagem da Folha de São Paulo encontrou quadras esportivas interditadas, salas deterioradas e unidades escolares com necessidade de manutenção. Em algumas escolas da zona rural, estudantes de séries diferentes estariam dividindo o mesmo espaço por falta de salas e professores.
Em Olho d’Água Grande, a situação também preocupa. A reportagem relata que encontrou escolas fechadas durante o horário letivo e registrou reclamações sobre falta de equipe e dificuldades no funcionamento das unidades de ensino.
Outro aspecto destacado é a situação dos profissionais da educação. Conforme relatos apresentados pela reportagem, professores das redes municipais estariam recebendo salários inferiores ao piso nacional da categoria. A remuneração base, segundo o levantamento, estaria congelada desde 2024.
A investigação também identificou repasses de aproximadamente R$ 5 milhões para uma empresa do setor da construção civil desde 2021. Conforme a publicação, não foram localizados registros públicos de contratos relacionados à área educacional que justificassem os pagamentos realizados com recursos do Fundeb.
Além disso, despesas relacionadas à manutenção de veículos e transporte escolar aparecem entre os gastos analisados. Entretanto, a reportagem afirma ter encontrado veículos em condições precárias durante as visitas realizadas aos municípios.
A Folha de S.Paulo informou que procurou os prefeitos Teo Higino e Suzy Higino, além de secretários municipais e o ex-prefeito Arnaldo Higino, por telefone, e-mail e presencialmente nas sedes das Prefeituras e Secretarias de Educação. Segundo o jornal, nenhum dos citados respondeu aos questionamentos até o fechamento da reportagem.
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