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Racha no PL Alagoas ou só estalinho? Reunião comandada por JHC é marcada por ausências de figuras importantes da direita alagoana

Por Política em Pauta 29/01/2026 10h10
Por Política em Pauta 29/01/2026 10h10
Racha no PL Alagoas ou só estalinho? Reunião comandada por JHC é marcada por ausências de figuras importantes da direita alagoana
Reunião do PL Alagoas comandada por JHC - Foto: Redes Sociais

A reunião política do PL Alagoas, realizada na noite desta quarta-feira, 28, em Maceió, e comandada pelo prefeito JHC, presidente estadual da sigla, foi marcada pela ausência de importantes figuras da direita alagoana, consideradas “bolsonaristas-raiz”.

A movimentação acontece menos de uma semana após JHC aparecer publicamente ao lado do presidente Lula, durante a entrega das moradias financiadas pelo governo federal em Maceió, em 23 de janeiro. Na ocasião, o prefeito fez elogios ao presidente da República, gesto que causou forte reação em setores da direita local e nacional, sobretudo entre eleitores conservadores e lideranças alinhadas ao bolsonarismo mais ideológico.

Nas redes sociais, uma foto da reunião foi divulgada pelo vereador Chico Filho, presidente da Câmara e integrante do PL, destacando o encontro como o primeiro momento de planejamento da legenda com foco nas eleições de 2026. Siderlane Mendonça reforçou o discurso de unidade, diálogo e construção de um projeto político para Alagoas, mas o cenário fora das postagens oficiais revelou um ambiente bem mais tensionado.

O que mais chamou atenção foi a ausência de nomes que costumam se apresentar como representantes da direita mais ideológica no estado. Entre eles, os pré-candidatos a deputado estadual Cabo Bebeto e Leonardo Dias não participaram do encontro. Leonardo justificou ausência por estar em fiscalização no Hospital Metropolitano, enquanto Cabo Bebeto não respondeu contatos diretos, embora, segundo o secretário municipal de Governo, Júnior Leão, tenha comunicado previamente a impossibilidade de comparecer ao encontro e teria acompanhado as discussões por telefone.

Além das ausências, pesa contra o ambiente interno do partido o histórico recente da relação de JHC com o governo federal. Em agosto do ano passado, a tia do prefeito, Marluce Caldas, foi nomeada por Lula para uma vaga de ministra no STJ, com registro público do momento ao lado do presidente da República, de Arthur Lira e do ministro Renan Filho. O que levou a um burburinho sobre um possível acordo político costurado em Brasília, alimentando rumores de que JHC poderia não disputar as eleições de 2026, seja ao Governo de Alagoas ou ao Senado.

Dentro do próprio PL, há o entendimento de que parte dos vereadores e lideranças que hoje integram o partido não têm origem ideológica na direita conservadora, tendo migrado para a sigla sob influência direta do prefeito. Ao mesmo tempo, uma ala do grupo político já demonstra discordância aberta com a condução de JHC e com o reposicionamento estratégico do prefeito no cenário nacional.

A reação popular tem sido um dos principais termômetros desse movimento. Multiplicam-se críticas, ataques e comentários chamando o prefeito de “traidor”, além de declarações de eleitores afirmando que não votariam mais nele.

Mais do que a presença ou ausência de lideranças na reunião do PL, o que passa a pesar politicamente é a reação do eleitorado alagoano, especialmente o maceioense, e o reflexo disso na direita nacional. Ficando a dúvida se o gesto de aproximação com Lula, os elogios públicos e o novo posicionamento político de JHC mudaram o eixo da leitura sobre o prefeito ou trata-se apenas de um estalinho, sem reverberar diretamente no prefeito da capital alagoana. Isso, só o tempo dirá.

Política em Pauta

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