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Projeto da vice-governadoria, observatório de Estudos Políticos é lançado na Ufal
Numa iniciativa inédita no estado, a vice-governadoria lançou o Observatório de Estudos Políticos com intuito de promover discussões em várias instâncias sobre conjuntura política brasileira e alagoana, de forma a estimular a formação da consciência política. Foi assim que o projeto chegou à Universidade Federal de Alagoas com a participação do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, jornalista e cientista político Roberto Amaral. “Queremos discutir com a sociedade o que é política e a importância dela”, disse o vice-governador Ronaldo Lessa.
O encontro com Roberto Amaral aconteceu no auditório do Laboratório de Computação Científica e Visualização (LCCV), situado no Campus A.C. Simões, em Maceió, com a presença de estudantes, professores e servidores técnicos. A mesa de honra foi presidida pela professora Mariana Rage, diretora do Centro de Educação, que, na ocasião, representou o reitor Josealdo Tonholo e coordenou o evento na Ufal. Também integraram a mesa o vice-governador Ronaldo Lessa, a discente Alyny Pontes, representando o Centro Acadêmico de Pedagogia, e o convidado Roberto Amaral.
Entre os participantes, os pró-reitores de Extensão, Cezar Nonato, e Estudantil, Alexandre Lima, a representante da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (Progep), Laís Costa, a vice-diretora do Instituto de Matemática (IM), professora Juliana Lima, além de professores e professoras do Centro de Educação (Cedu)
“Estamos iniciando esse projeto com a presença de Roberto Amaral, pois queremos discutir política e mostrar para as pessoas a riqueza que é a política. Por isso, vamos chegar aos partidos políticos, aos gestores e à academia. Que bom que o reitor Josealdo Tonholo tem uma visão macro, sabe da importância dessa temática aqui dentro e aceitou trazer essa discussão para a Ufal, que também foi minha casa. A política também faz parte do dia a dia da Universidade e é aqui que precisamos ampliar os debates”, declarou Lessa.
E completa: “Convidamos Roberto Amaral, que, na minha opinião, é um dos intelectuais brasileiros de maior representatividade do pensamento da esquerda brasileira, para que ele abrisse hoje (24) em Alagoas esse novo momento com a academia. Estamos na Ufal, mas queremos depois ampliar para Uneal, Uncisal e até as universidades privadas. Vamos mostrar que qualquer atitude, pode ser científica ou em qualquer outra espera, é política. Só se tem sentido por meio da política. Por isso, contamos com apoio da nossa fundação, a Fapeal [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas], para chegarmos a outras cidades e discutirmos com lideranças dos locais, acadêmicos, estudantes e sociedade em geral o papel importante da política na vida da gente. A política, enfim, é o sentido de a gente viver e fazer as coisas boas, justiça e construir um país melhor”.
Um país que sonhamos
Para Roberto Amaral esse encontro é importante não só pelo tema, mas por ter a participação de tantos jovens. “Estamos com um auditório lotado de estudantes e esses jovens universitários são fundamentais porque dependemos deles para construir um país que sonhamos ter”, disse, durante entrevista para as redes oficiais da Ufal.
Amaral afirmou que a população sempre esteve à margem das decisões políticas e que a história brasileira nunca foi contada sob a ótica dos menos favorecidos, porque estes não são chamados a fazer a construção da história, a participar das decisões, nem seus interesses, colocados em pauta de forma prioritária. "Esse projeto é a mais importante ação do Ronaldo Lessa de toda a sua vida pública", afirmou o cientista.
Isso porque, para Amaral, é crucial romper com a apatia observada na esquerda atualmente. Essa falta de estímulo se deve, em muito, pela ausência de diálogo efetivo entre o governo federal e a população, para explicar o impasse na execução plena de seu projeto popular – um entrave que se deve, em grande parte, à dependência do Executivo em relação ao Congresso Nacional.
A abordagem de Amaral destaca a urgência de revitalizar a militância, promover o retorno da esquerda às ruas e assegurar a participação dos setores menos favorecidos nas decisões políticas. Nesse contexto, emerge a importância estratégica de fomentar a formação política por meio de palestras e debates fundamentados na história, os quais contextualizam a conjuntura política brasileira contemporânea.
Simultaneamente, o resgate da capacidade de indignação e reivindicação pelas forças progressistas são postulados pelo cientista político como uma necessidade premente. Contudo, este resgate pressupõe a efetiva participação dessas forças no processo político, uma dinâmica historicamente carente de concretização no cenário político brasileiro.
O alerta de Amaral para a atual fragilidade da democracia brasileira e os potenciais riscos à sua sustentabilidade permearam o cerne do debate. Amaral afirma que a defesa eficaz do sistema democrático requer o esclarecimento da real situação por parte do povo, formadores de opinião e trabalhadores, mediante a promoção de debates como esses, embasados nas experiências políticas que delinearam a atual conjuntura.
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