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Não dispute o ouro de tolo

Por Camylla Sadoque Rodrigues 28/04/2023 00h12 - Atualizado em 28/04/2023 00h12
Por Camylla Sadoque Rodrigues 28/04/2023 00h12 Atualizado em 28/04/2023 00h12
Não dispute o ouro de tolo
Camylla Sadoque Rodrigues - Foto: gonzaga home video

Ouro de tolo: “algo que parece ter valor, mas na verdade não tem”, segundo o google. Conotação advinda da pedra pirita, que apesar da aparência dourada não é ouro, verdadeiro metal precioso.

Com sentido semelhante, ouve-se muito a frase “escolha suas batalhas”, originária de princípios defendidos por Sun Tzu na aclamada obra A Arte da Guerra, em que se tem: “conheça seu inimigo como a si mesmo e não precisa temer o resultado de cem batalhas”. Entretanto pouco se fala em ceder o espaço, desistir da contenda e não duelar por conquistas inócuas, o que aqui denomino ouro de tolo.

Claro, o significado que emprego para a pedra que parece ser preciosa e não é, para além da ilusão, em muitos aspectos tem interpretação diferente da empregada pelo grande artista Raul Seixas em sua música Ouro de tolo, em que retrata o cenário de alguém que conquistou tudo e conclui que o tudo material não tem valor diante de sua perspectiva de vida, da mesma forma que se afasta do sentido apresentado por Sun Tsu.

Nesse texto, discorro sobre os meios empregados na conquista do verdadeiro ouro, o valioso, como definição da grandeza e satisfação no encontro com os objetivos perseguidos. Ou seja, falo do caminho, do mapa do tesouro, como definidor de sua grandiosidade.

Nos filmes e séries empolgantes que costumamos assistir desde a infância, o caminho que o mocinho engendra, até a conquista do secreto lugar que “vale a pena”, não é em linha reta, tem obstáculos, tem o vilão, a mocinha, a trapaça e injustiças, mas existe uma constante, com ou sem efeitos especiais, a mensagem é sempre no sentido de que fazer a coisa certa vale a pena. Ser correto, ser bom “não bobo”, com objetivos claros e trabalho árduo persistente, leva ao ouro. Na vida não é diferente.

Por outro lado, essa persistência não pode ser confundida com a disputa sem sentido pelo ouro de tolo. Vou explicar melhor. No dicionário “camilanez”, refiro-me aos esforços grandiosos que podem nos propor realizar, mas que na disputa, as regras são injustas, o opositor tem os benefícios da “esperteza desonesta”, e para avançar é necessário entrar no jogo sujo. Em que por mais que possamos chegar ao final, a energia, a luta e empenho empregados nos garantem apenas uma pirita, pois para chegar lá perdeu-se valores, logo o prêmio se torna ouro de tolo.


Deixando a fantasia e conotações um pouco de lado e aproximando da vida profissional, muitas vezes enquanto galgamos nossos objetivos profissionais nos deparamos com tolos a dificultar o nosso trajeto. Quando isso acontece, é importante que possamos observar se as regras da competição são sérias e justas, acaso não sejam, muito provavelmente você estará diante da disputa por um falso ouro, pois sendo um caminho que permite tamanha força a um opositor desonesto a ponto de ter recursos para competir com um profissional ético e comprometido, é importante que se compreenda que todo o percurso e logo o seu objetivo profissional está seriamente comprometido. Quando isso acontecer, entregue o ouro ao tolo, DESISTA dessa competição.

Ajustar a rota na direção do caminho que lhe proporcione ser ético e trabalhar suas potencialidades em um campo de regras claras é sempre vantajoso e esses espaços profissionais não só existem, como as pessoas éticas se reconhecem pelo caminho.


Não foi 1, 2 ou 3 vezes apenas que em ambientes profissionais, ao identificar a trapaça e favorecimentos injustos no caminho que havia escolhido, DESISTI e entreguei o ouro ao tolo, sem perda de energia, mas sempre deixando muito claro, sobre não permanecer diante dos fatos A, B e C. Talvez os especialistas tenham algum nome americanizado para tal estratégia de vida, que eu ainda não saiba, mas o que posso garantir é que sempre deu certo.

Respeite sempre os seus valores e princípios, sua história e esforços reais. Se o caminho escolhido exige a abdicação desse precioso ouro, que é a construção de quem somos no trajeto de vida, não vale a pena. Existem pessoas que valem a pena, trabalhos preciosos, nichos edificantes e espaços de florescimento, o que precisamos fazer é observar e JAMAIS duelar, nos perdendo pelo caminho.

Camylla Sadoque

Servidora Pública Federal da Previdência Social há 10 anos, na análise de benefícios, gestão e coordenação técnica. Advogada. Especialista em Direito Público. Educadora no INSS e mãe. Descomplicando o Direito Previdenciário para você. InstaBLOG: @camyllasadoquerodrigues

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