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Graziela Valeriano

Graziela Valeriano

Graziela Valeriano é Terapeuta Ocupacional, CREFITO-1 12632-T.O. Pós-graduada em Neuropsicologia Clínica; Pós-graduada em Educação no Ensino Estruturado para Autistas; Certificação Internacional Completa em Integração Sensorial; Endereços profissionais: Consultório Particular-Solution Center- Centro de Soluções Clínicas, Rua Marechal Floriano Peixoto, 200, Eldorado, Arapiraca. Telefone:3530-4372; Espaço TRATE-Reabilitação e Reintegração de Crianças com Autismo.

Você sabe o que é defensividade tátil?

 

Na minha última ida à praia fiquei observando às famílias ao meu redor.  Praia é um lugar que certamente vemos muitas crianças brincando e se divertindo na areia. Ops, nem sempre é assim! Para algumas crianças, a areia não é aquela coisa fofinha e gostosa de pisar… e quando isso acontece, você pode ver uma criança tranquila se tornar extremamente irritada! Por quê?

A nossa sociedade se acostumou a chamar essas reações de frescura, mas a comunidade científica vem provando que muitas dessas reações negativas às sensações têm na verdade um fundo neurológico.

No post de hoje, falaremos sobre Defensividade Tátil, um assunto que ainda é pouco conhecido pela população e que merece nossa atenção e conhecimento.

“Defensividade tátil refere-se à respostas observáveis negativas ou aversivas a alguns tipos de experiência tátil que a maioria das pessoas não considera desagradável ou dolorosa. Existe um componente emocional exagerado em relação a toque de outras pessoas ou certas texturas. Assim, pentear o cabelo pode ser uma experiência dolorosa para algumas crianças e a água do chuveiro
pode parecer agulhas caindo sobre a pele. É considerado um distúrbio de modulação de entrada sensorial.

Como geralmente não pensamos muito sobre nosso sentido do tato ou que algumas pessoas são mais “sensíveis” que outras, muitos desses comportamentos geralmente são atribuídos à personalidade, natureza emocional ou tendências comportamentais.  Entretanto, foram documentados casos
suficientes de defensividade tátil para sabermos que é realmente uma condição de base neurológica, que pode criar muito desconforto e mesmo desorganização para o indivíduo que a experimenta e sua família.

Nosso sentido do tato é intimamente relacionado às nossas emoções. Sofrer desconforto frequente através deste sentido é o suficiente para fazer o indivíduo demonstrar reações emocionais bastante fortes. Assim, crianças que sofrem com este problema são frequentemente descritas como irritadiças, briguentas, retraídas, choronas, bravas, etc. É difícil prestar atenção na escola, por exemplo,
se você tem de pensar o tempo todo que suas roupas estão incomodando, ou o quanto é desagradável quando alguém encosta de leve em você na fila. Estresses tais como fadiga, doença, ansiedade e mesmo fome frequentemente tornam essas reações mais severas.

Terapia destinada a reduzir defensividade tátil tenta gradativamente despertar reações mais normais às várias sensações táteis. O objetivo é normalizar o modo pelo qual o sistema nervoso reage e interpreta informação tátil.

Cito aqui alguns sinais de defensividade tátil: aversão a algumas atividades da vida diária tais como banho de chuveiro, cortar unhas ou cabelo, lavar o rosto, sensibilidade a certos tipos de tecidos ou roupas, cócegas exageradas, manter distância de outras pessoas para evitar ser tocada, preferência ou aversão a comidas que parecem relacionadas a texturas ou temperatura; por exemplo, bebê que não aceita “caroços” na sopinha ou criança que tem ânsia de vômito com comidas com textura de purê, aversão ou luta quando carregados, abraçados ou embalados, esfregar o lugar em que foi tocada, como se quisesse apagar, tendência a se afastar de toque antecipado ou interações que envolvam toque, aversão a toque leve especialmente nas pernas, braços e rosto, recusa em tocar materiais tais como pintura a dedo, massinha etc, evitam andar descalças em algumas superfícies como areia ou grama, objeção, afastamento ou respostas negativas a contato tátil, incluindo no contexto de relações íntimas.

Todos nós podemos não gostar de certas texturas e toques, isso não é um problema, a não ser que tenhamos vários sintomas que interfira de maneira significativa na nossa vida. Caso esta seja a realidade, é importante buscar um profissional, no caso o Terapeuta Ocupacional, que fará um trabalho específico, de integração sensorial e ajudará a amenizar os sintomas e a tornar o dia a dia menos incômodo.

 

 

Referência: https://napracinha.com.br/

 
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