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Kathyane Brito

Kathyane Brito

Assistente Social, 23 anos. Formada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Acredito que a vida seja uma passagem, dela temos que aproveitar intensamente e não há maneira melhor de fazer isso do que viajando, descobrindo novos lugares, culturas, etc. Aqui vou dividir com vocês meus cantinhos favoritos com várias dicas. Com carinho @kathyanebrito 

Sobre o pôr do sol mais lindo: Casa Pueblo

Casa Pueblo fica localizada em Punta Ballena, cerca de 15 minutos da famosa Punta Del Este. Foi idealizada por Luiz Carlos Villaró, que faleceu há 3 anos, mas deixou esse riquissimo lugar que encanta à todos que os visitam.

Parte da Casa Pueblo após o pôr do sol (Foto: Kathyane Brito)


Casa Pueblo fica localizada em Punta Ballena, cerca de 15 minutos da famosa Punta Del Este no Uruguai. Foi idealizada por Carlos Páez Vilaró que faleceu há 3 anos, mas deixou esse riquíssimo lugar que encanta a todos que o visitam.


Casa Pueblo dispensa apresentações, tem uma arquitetura que lembra o estilo grego, mas não foi projetada por arquitetos ou engenheiros. As ideias e inspirações para sua construção surgiram de Luiz Carlos Vilaró, que teve o auxílio dos pescadores que por ali viviam; não é à toa que seu apelido era João de Barro.

E como ele chegou a conhecer esse lugar? Em um fim de tarde seu carro quebrou pela região de Punta Ballena e enquanto aguardava ajuda viu o pôr do sol mais encantador de sua vida e decidiu que era ali que gostaria de viver.


Além do Hotel, Casa Pueblo também possui um museu com um incrível acervo de obras de Villaró, suas obras eram inspiradas no estilo europeu e também na cultura negra. No museu também são expostas peças que estão à venda.

E por falar em cultura negra, Vilaró era conhecido por iniciar todos os anos o carnaval uruguaio, que dura cerca de 30 dias, e tem como tradição musical o camdombe (vou falar melhor em outro post sobre montevideo, ok?)


(Parte do acervo encontrado no museu)

 

Villaró era amante de gatos. Durante o passeio, avistamos alguns que ainda se encontram no local. Também era amigo de muitos brasileiros, que passavam temporadas em sua casa, dentre eles Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Pelé, entre outros.


Às cinco horas da tarde as pessoas ali presentes já começam a encontrar seus lugares entre a sacada do museu e ficam ali admirando a vista sobre o rio de La Plata, que leva esse nome porque fica parecendo prateado em meio ao pôr-do-sol. E que pôr do sol! Sem dúvidas o mais lindo e emocionante de todos.


Quando o sol começa a baixar inicia-se a cerimônia do pôr-do-sol em que começa a sair pelas caixas de som o poema que Carlos Vilaró fez ao sol, gravado com sua voz. Não tem como não se emocionar...

A entrada para conhecer Casa Pueblo custa em torno de 30 reais - sim tanto em Punta del Este como em Punta Ballena, reais são aceitos normalmente nos estabelecimentos - e você pode escolher passar o dia por lá ou apenas para ver o pôr do sol, a casa tem outras partes interativas que também são muito legais de se conhecer.


O sol está presente em várias de suas obras, nas quais sempre expressou sua gratidão. Para finalizar, vou deixar o poema traduzido para o português para vocês e para os admiradores do pôr do sol assim como eu, sempre emociona...

 
Cerimônia del Sol

“Olá Sol …! Mais uma vez você vem para visitar sem aviso prévio. Mais uma vez em sua longa caminhada desde o início da vida. Olá Sol …! Com a barriga cheia de ouro fervendo para distribuir entre as moradias e quintas, capelas camponesas, vales, florestas, rios e aldeias esquecidas. Olá Sol … ! Todo mundo sabe que pertence a todos, mas prefere dar seu calor aos mais necessitados, aqueles que precisam de sua luz para iluminar a sua casa de folhas, os que de você recebem energia para enfrentar o trabalho, pedindo a Deus para nunca perdê-la, para enriquecer seus plantios, e conseguir as suas colheitas. É que você, Sol,, é o pão de ouro da mesa dos pobres. Da minha varanda eu vejo você vir todos os dias como um anel de fogo de rolamento através de anos, pontual, essencial, incentivando minha filosofia desde o dia em que comecei a levantar a Casapueblo e coloquei a primeira pedra e o meu primeiro tijolo. Eu me lembro que foi um dia de inflamada tempestade, o mar tinha substituído a cor azul por um cinza pavonado, no horizonte um veleiro ancorado afiava atento suas velas para escapar da tempestade, o céu estava cheio dos gritos dos corvos em voo, vi como a rajada de vento agitava toda a serra, incomodando tanto à doninha quanto a um coelho. Mas de repente um anúncio sobrenatural perfurou o céu e você apareceu. Era um sol nítido e redondo, perfeito e delineado posto sobre o cenário de minha iniciação com a força sagrada de um vitral de igreja! Os mesmos braços de ouro que ao amanhecer iluminam o céu, que se estendem sobre todos os lados, aqueciam as montanhas, ou apontando para baixo iluminavam o mar. A partir daquele momento eu senti que Deus habita em vós, para que a vossa fé e por meio de seus raios transmita a todos os lugares por onde transita. Sol … Olá! Como eu gostaria de ter compartilhado sua longa jornada presenteado os outros com luz, porque o teu toque acariciou a vida de mil povos, compartilhando suas alegrias e tristezas, conheceu a guerra e a paz, impulsionou a oração e o trabalho, acompanhou a liberdade e fez durar menos a prisão da escuridão. Ao seu comando sol, os lagartos dormem, os girassóis acordam e os galos cantam. Ronronam os gatos vadios, uivam os cães e outros saem de suas cavernas. Ao seu comando há o suor na testa dos trabalhadores, e no corpo das mulheres que cobertas levam cântaros de água para a favela. Com toques de seu coração comove o mar, da música ao plantio, a usina e ao mercado. Ao seu comando correm em estampido búfalos e antílopes, se desperta o leão, se surpreende a girafa, se desliza a serpente e voa a borboleta. Ao seu comando canta a cotovia, saiu-se do pântano, acordou o morcego e se mudou o albatroz. Sol … Olá! Obrigado por ter vindo alegrar minha vida como artista. Porque você me fez menos solitária a minha solidão. É que eu estou acostumado a sua companhia e se não tenho você, te busco onde quer que estejas! É por isso que te reencontrei na Polinésia, quando você foi coroado rei das ilhas de pérola e recifes de coral, ou também na África, quando deu um impulso à suas revoluções libertárias e se refletia no espelho de seus escudos tribais para injetar coragem. Eu estou olhando e vejo que você não mudou, é sol que reverenciavam os Astecas, o mesmo que pintei em minha peregrinação pela América, o mesmo que envolveu a Amazônia misteriosa e secreta, o que me iluminou o caminho sagrado de Machu Picchu no Peru, e nos vales da Patagônia ou territórios dos Sioux e o Comanche. O mesmo sol que me levou a Bornéu, Sumatra, Bali, a Ilhais musicais ou as areias escaldantes do Sahara. A diferença dos relâmpagos que apenas projetam na noite chicotes de luz do seu reinado planetário, teus raios permanecem ativos. Algumas vezes a travessuras de umas nuvens escondem a sua glória, mas quando isso acontece, nós sabemos que você está lá, jogando oculto. Outras vezes, porém, te vemos sorrir quando as gaivotas te usam de papel para escrever as frases em seu voo. Obrigado Sol, por invadir a intimidade de meu entardecer e mergulhar em minhas águas. Agora será a luz dos peixes e de seu mundo secreto debaixo d’água. Também os fantasmas que habitam o ventre dos navios afundados nos trágicos naufrágios. Obrigada Sol …! Por nos presentear com esta cerimônia amarela. Obrigado por deixar meus muros brancos impregnados de sua fosforescência. Entre rajadas e rajadas, os ciclones que atravessam tempestades ou tornados, você pode vir aqui para ir acalmando silenciosamente os nossos olhos. Porque a sua missão é partir para iluminar outros lugares. Operários, estivadores, pescadores te esperam em outras regiões onde a noite desaparece com sua chegada. E como respondendo a um timbre mágico despertará as cidades, acompanhará os filhos até a escola, colocarás em voo a felicidade dos pássaros, chamará a missa. À sua chegada, animou-se o andar de seus trabalhadores, cantarão os vendedores nas feiras, as margens dos rios se encherão de lavadeiras e entrará a alegria pelas janelas dos hospitais! Tchau sol …! Quando em um instante você se vai por completo e assim morrerá a tarde. A nostalgia se apoderará de mim e a escuridão da Casapueblo. A escuridão, penetrando com seu apetite insaciável debaixo da minha porta, através das janelas ou qualquer espaço encontrado para infiltrar-se em meu estúdio, abrindo campo para as borboletas noturnas. Tchau sol…! Eu te amo … Quando era criança eu queria te alcançar com a minha pipa. Agora que estou velho, me resigno a lhe suada enquanto a tarde boceja por tua boca de vime. Tchau sol …! Obrigado por provocar uma lágrima, ao pensar que também iluminou a vida de nossos avós, nossos pais e entes queridos e de todos os que não estão mais juntos a nós, mas que te seguem e de você desfrutam de outra altura. Sol … Adeus! Amanhã eu vou te esperar novamente. Casapueblo é a sua casa, pois todos a chamam de Lar do Sol. O sol da minha vida como artista. O sol da minha solidão. É que me sinto um milionário em solas, Eu continuo a esperar que alcance todos os dias o horizonte.”






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